Os seguranças realmente vieram na direção de Helena Castro para expulsá-la.
Mas antes que encostassem um dedo nela, Filipe Cruz apareceu.
O coração da recepcionista deu um salto. Ela olhou de relance para Helena Castro, apavorada.
Será que aquela mulher de máscara era mesmo a dona de tudo aquilo?
Filipe Cruz atravessou o saguão e parou na frente de Helena Castro.
— Vamos subir para conversar.
Afinal, era um assunto pessoal. Ele não queria dar um show no meio do andar térreo.
Mas Helena Castro não estava ali para facilitar a vida dele. Ela cruzou os braços, rebelde.
— Não vou.
Ele franziu a testa.
— Por que não?
— Tenho medo de atrapalhar a sua festinha particular.
Filipe Cruz pescou a ironia no olhar dela e congelou por um instante.
— O que é que você está imaginando agora?
Helena Castro deu um sorriso debochado.
— E se você não está imaginando nada, como sabe que eu estou imaginando alguma coisa?
Filipe Cruz conhecia muito bem a língua afiada dela.
Mas ser humilhado na frente dos próprios funcionários era um golpe no orgulho, e a expressão dele escureceu.
— Você quer resolver isso ou não? — ele perguntou, engolindo a raiva.
A vontade de Helena Castro era mandar ele resolver com a mãe dele.
Mas ela lembrou que assinaria o divórcio no dia seguinte e não podia deixar que nada atrapalhasse.
Engoliu os xingamentos e abriu um sorriso cínico.
— Claro que quero! Vamos resolver agora. Mas eu não subo. Não quero correr o risco de ver algo nojento e machucar os meus olhos. Vamos procurar uma cafeteria aqui perto.
Ele quase rebateu que não havia nada de nojento lá em cima.
Mas a frase morreu na garganta.
Filipe Cruz não teve escolha a não ser seguir Helena Castro para fora do prédio.
Assim que o chefe virou as costas, a recepcionista correu até o assistente de Filipe Cruz, tremendo dos pés à cabeça.
— Aquela... é mesmo a esposa do Diretor Cruz?
E ela não aceitava que o seu casal favorito fosse uma fraude!
Isso era o mesmo que arrancar o coração dela!
Helena Castro não fazia ideia de nada disso. Ela e Filipe Cruz entraram em uma cafeteria próxima.
Assim que sentaram, Helena Castro não perdeu nem um segundo e foi direto ao ponto.
— Qual cláusula você quer mudar?
Filipe Cruz, que tinha feito questão de arrastá-la até ali, de repente não parecia ter pressa. Ele desviou o olhar e enrolou.
— Minha avó não está se sentindo muito bem ultimamente. Você foi visitá-la?
— Oi? Ela não me falou nada sobre estar passando mal.
E as duas tinham feito uma chamada de vídeo ontem à noite. A velha parecia ótima.
Filipe Cruz insistiu.
— A avó te adora. Ela gosta mais de você do que de mim. Se você tiver tempo, vá fazer companhia para ela.
— Não preciso que você me diga isso.
Até porque, nos últimos cinco anos, ela tinha visitado a avó muito mais vezes do que o próprio neto de sangue.

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