Helena Castro trincou os dentes de tanta raiva.
Mas não tinha escolha. Teria que ir.
Ela não queria que ele arrumasse um pretexto para travar tudo aos quarenta e cinco do segundo tempo.
Faltava tão pouco. Era melhor engolir o sapo e resolver.
Não valia a pena brigar com cachorro louco.
Durante todo o trajeto, Helena Castro foi tentando se acalmar.
A sede do Grupo Cruz ficava na região mais nobre e valorizada da Cidade N, sendo o prédio mais icônico da cidade.
A arquitetura era imponente.
Atraía turistas de todo canto para tirar fotos.
Mas, para Helena Castro, aquela era a primeira vez ali.
Apesar de estar casada com Filipe Cruz há cinco anos, ela nunca tinha pisado no Grupo Cruz.
Ela entrou e foi direto à recepção explicar o motivo da visita.
Mas não disse que era a esposa de Filipe Cruz.
Afinal, ele nunca tinha tornado a identidade dela pública.
A recepcionista perguntou, com tom robótico:
— Você tem hora marcada?
— Não. — Helena Castro respondeu.
Tinha sido o próprio Filipe Cruz quem a chamara, afinal.
A recepcionista a mediu de cima a baixo e abriu um sorriso desdenhoso.
— Então pode ir embora. O Diretor Cruz só atende com agendamento prévio.
Helena Castro abriu a boca para dizer que ele a estava esperando.
Mas a postura arrogante da recepcionista sumiu em um piscar de olhos, dando lugar a uma expressão de pura bajulação.
Ela até saiu de trás do balcão para cumprimentar quem tinha acabado de chegar, com a voz carregada de doçura.
— Srta. Lobato! Veio trazer sopa para o Diretor Cruz de novo? Ele é um homem de muita sorte.
Helena Castro nem precisou virar para saber quem era.
Roberta Lobato respondeu com um sorriso encantador.
— O Filipe está trabalhando tanto ultimamente que acaba esquecendo de comer. Fico com medo de ele adoecer de exaustão, então venho todos os dias garantir que ele se alimente direito.
— Ai, que fofos! Não é à toa que o Diretor Cruz mima tanto a senhora.
O sorriso de Roberta Lobato ficou ainda mais doce.
— Será que esse título serve?
A recepcionista arregalou os olhos, em choque. Mas logo franziu a testa e rebateu:
— Eu trabalho no Grupo Cruz há muito tempo e nunca ouvi falar que o Diretor Cruz é casado. Você tem muita coragem de vir aqui e tentar se passar por esposa dele!
Helena Castro estava sem paciência para bater boca com funcionária.
Ela sacou o celular e ligou direto para Filipe Cruz.
— Eu já tô aqui embaixo no saguão do Grupo Cruz, mas a sua recepcionista não me deixa subir. E quer saber? Perdi a vontade de subir. Se você quer falar comigo, desça você.
Ela desligou na cara dele antes mesmo de ouvir a resposta.
O problema não era dela.
Já ia se divorciar amanhã mesmo. Quem é que ia ficar bajulando esse traste agora?
A recepcionista ficou tensa, olhando de soslaio.
Mas era verdade que o Diretor Cruz nunca assumira um casamento em público.
Então, ela se convenceu de que Helena Castro estava apenas blefando.
Sem pensar duas vezes, acenou para os seguranças.
— Tirem essa maluca daqui! Ela está se passando pela esposa do Diretor Cruz!

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