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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 846

O maior medo dele era não conseguir alcançar Rebeca Ribeiro.

— Eu te levo de volta.

— Não precisa.

Rebeca Ribeiro o rejeitou mais uma vez.

— É difícil conseguir um carro a essa hora. Eu te levo. — Samuel Batista segurou a mão dela novamente.

Desta vez, ele usou mais força, e Rebeca Ribeiro não conseguiu se soltar.

Ela franziu as sobrancelhas.

— Samuel Batista, eu acho que já fui muito clara.

Aquelas palavras gélidas e que mantinham as pessoas a uma distância segura.

Ela já as havia dito repetidas vezes.

Como se dissesse a ele, mas também como se lembrasse a si mesma.

Cada vez que as proferia, lembrava-se do quão doloroso foi caminhar naqueles dias encobertos por nuvens negras.

Ela havia lutado tanto para se salvar. Não queria, de jeito nenhum, voltar a ser afetada por alguém.

Tinha um pânico terrível de perder a capacidade de se resgatar novamente.

Por isso, sua primeira reação a qualquer coisa que pudesse desestabilizá-la era a rejeição absoluta.

Ela era perfeitamente capaz de caminhar sozinha, comer coisas boas e apreciar belas paisagens.

Pessoas que já foram abandonadas carregam uma cicatriz no coração que nunca cicatriza.

Essa cicatriz servia como um lembrete constante de que o amor pode acabar.

E que a pessoa que mais a ama pode, um dia, abandoná-la de forma cruel.

Ainda mais alguém que já a havia deixado para trás uma vez.

Como se o destino a testasse, ele usava as coisas que ela mais desejava para moê-la impiedosamente.

Até que ela não desejasse mais nada.

Samuel Batista baixou os olhos e abriu um sorriso fraco.

— Eu sei. Mas isso não impede que eu te leve de volta.

— Mas eu não preciso da sua carona.

Ela o encarou com um olhar carregado de frieza.

— Eu não preciso mais, entendeu?

Samuel Batista ficou em silêncio imediato.

Uma dor fina e profunda começou em seu coração e se espalhou por cada terminação nervosa do seu corpo.

Naquele momento, ele sentiu que não conseguia mais segurar a mão de Rebeca Ribeiro com firmeza.

E foi nesse instante que ela puxou a mão de volta.

Ele tentou agarrá-la de novo, por puro instinto.

Mas desta vez, Rebeca Ribeiro desviou do seu toque.

Ele sabia que merecia tudo aquilo.

Logo após esses três dias, chegou a data da assinatura do acordo de intenções com o Grupo Solverde.

Rebeca Ribeiro liderou a equipe pessoalmente para formalizar o contrato.

Cecília Lage também estava lá e não parava de avaliar Rebeca Ribeiro com o olhar durante toda a reunião.

Depois que o documento foi assinado, Renato Lage sugeriu uma grande foto em grupo para registrar o momento.

Rebeca Ribeiro ficou bem no centro, ao lado dele.

O fotógrafo ainda estava ajustando os equipamentos.

De repente, o assistente de Renato Lage soltou uma exclamação atrás deles.

— Está nevando lá fora?

Cecília Lage virou-se rapidamente para conferir e arregalou os olhos.

— Parece que está nevando de verdade! Papai, estou vendo coisas? Como pode nevar na Cidade H?

Renato Lage também estava chocado.

— Pois é. Como pode nevar na Cidade H?

Rebeca Ribeiro também virou a cabeça para olhar.

Do lado de fora das enormes janelas de vidro do chão ao teto, flocos de neve flutuavam no ar e caíam suavemente.

[Se nevar na Cidade H, eu te perdoo.]

Aquela frase ecoou de repente em sua mente.

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