O maior medo dele era não conseguir alcançar Rebeca Ribeiro.
— Eu te levo de volta.
— Não precisa.
Rebeca Ribeiro o rejeitou mais uma vez.
— É difícil conseguir um carro a essa hora. Eu te levo. — Samuel Batista segurou a mão dela novamente.
Desta vez, ele usou mais força, e Rebeca Ribeiro não conseguiu se soltar.
Ela franziu as sobrancelhas.
— Samuel Batista, eu acho que já fui muito clara.
Aquelas palavras gélidas e que mantinham as pessoas a uma distância segura.
Ela já as havia dito repetidas vezes.
Como se dissesse a ele, mas também como se lembrasse a si mesma.
Cada vez que as proferia, lembrava-se do quão doloroso foi caminhar naqueles dias encobertos por nuvens negras.
Ela havia lutado tanto para se salvar. Não queria, de jeito nenhum, voltar a ser afetada por alguém.
Tinha um pânico terrível de perder a capacidade de se resgatar novamente.
Por isso, sua primeira reação a qualquer coisa que pudesse desestabilizá-la era a rejeição absoluta.
Ela era perfeitamente capaz de caminhar sozinha, comer coisas boas e apreciar belas paisagens.
Pessoas que já foram abandonadas carregam uma cicatriz no coração que nunca cicatriza.
Essa cicatriz servia como um lembrete constante de que o amor pode acabar.
E que a pessoa que mais a ama pode, um dia, abandoná-la de forma cruel.
Ainda mais alguém que já a havia deixado para trás uma vez.
Como se o destino a testasse, ele usava as coisas que ela mais desejava para moê-la impiedosamente.
Até que ela não desejasse mais nada.
Samuel Batista baixou os olhos e abriu um sorriso fraco.
— Eu sei. Mas isso não impede que eu te leve de volta.
— Mas eu não preciso da sua carona.
Ela o encarou com um olhar carregado de frieza.
— Eu não preciso mais, entendeu?
Samuel Batista ficou em silêncio imediato.
Uma dor fina e profunda começou em seu coração e se espalhou por cada terminação nervosa do seu corpo.
Naquele momento, ele sentiu que não conseguia mais segurar a mão de Rebeca Ribeiro com firmeza.
E foi nesse instante que ela puxou a mão de volta.
Ele tentou agarrá-la de novo, por puro instinto.
Mas desta vez, Rebeca Ribeiro desviou do seu toque.
Ele sabia que merecia tudo aquilo.
Logo após esses três dias, chegou a data da assinatura do acordo de intenções com o Grupo Solverde.
Rebeca Ribeiro liderou a equipe pessoalmente para formalizar o contrato.
Cecília Lage também estava lá e não parava de avaliar Rebeca Ribeiro com o olhar durante toda a reunião.
Depois que o documento foi assinado, Renato Lage sugeriu uma grande foto em grupo para registrar o momento.
Rebeca Ribeiro ficou bem no centro, ao lado dele.
O fotógrafo ainda estava ajustando os equipamentos.
De repente, o assistente de Renato Lage soltou uma exclamação atrás deles.
— Está nevando lá fora?
Cecília Lage virou-se rapidamente para conferir e arregalou os olhos.
— Parece que está nevando de verdade! Papai, estou vendo coisas? Como pode nevar na Cidade H?
Renato Lage também estava chocado.
— Pois é. Como pode nevar na Cidade H?
Rebeca Ribeiro também virou a cabeça para olhar.
Do lado de fora das enormes janelas de vidro do chão ao teto, flocos de neve flutuavam no ar e caíam suavemente.
[Se nevar na Cidade H, eu te perdoo.]
Aquela frase ecoou de repente em sua mente.

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