No hospital, Rebeca Ribeiro estava encolhida na cama, contorcendo-se de dor.
O médico que a atendia, no entanto, não demonstrava nenhuma pressa.
— Costuma doer tanto assim?
— Não tanto. E desta vez desceu mais cedo. — Rebeca Ribeiro respondeu com muita dificuldade.
O médico continuou com as perguntas.
— Tem vida sexual ativa? É satisfatória?
Rebeca Ribeiro:
— ...
O médico ergueu os olhos, ajeitou os óculos e avisou:
— Isso é muito importante para o diagnóstico.
Só então Rebeca Ribeiro murmurou, constrangida:
— Não tenho.
A expressão de Samuel Batista paralisou por um instante.
Ele levantou o olhar e encarou Rebeca Ribeiro com uma intensidade cheia de significados.
O médico continuou anotando no prontuário e fez uma observação:
— Uma vida sexual moderada pode promover a circulação sanguínea na região pélvica e relaxar a tensão muscular.
— Isso costuma aliviar os sintomas de cólica em muitas mulheres.
Ao dizer isso, o médico lançou um olhar rápido para Samuel Batista.
Um olhar que misturava pena com uma certa dose de desprezo.
Samuel Batista limpou a garganta, adotando um tom humilde para pedir orientações ao médico.
— Além disso, existe alguma outra maneira de curar essa cólica de forma definitiva?
Talvez por causa da atitude respeitosa de Samuel, o rosto do médico suavizou um pouco, e ele passou a explicar pacientemente.
— A cólica menstrual primária geralmente não tem cura definitiva.
— Só pode ser aliviada com medicamentos.
— Mas mudanças no estilo de vida, compressas quentes moderadas, exercícios físicos e acompanhamento psicológico podem ajudar bastante.
— Em algumas pacientes, os sintomas diminuem ou desaparecem naturalmente com o avanço da idade ou após a gravidez.
Samuel Batista ouvia tudo com extrema atenção, fazendo perguntas cada vez mais específicas.
O médico respondeu a todas elas, uma por uma.
Nesse momento, os remédios começaram a fazer efeito, e Rebeca Ribeiro finalmente se sentiu um pouco melhor.
Como estava muito constrangida para encarar Samuel Batista depois daquela conversa, ela decidiu fingir que estava dormindo.
Mas acabou adormecendo de verdade...
No meio do sono, sentia um calor aconchegante em seu abdômen.
Aquela dor torturante parecia, de fato, se dissipar em meio àquele conforto.
Depois de dizer isso, Rebeca Ribeiro tirou o cobertor de cima de si, saiu da cama e se preparou para voltar ao hotel.
Samuel Batista segurou o pulso dela, tentando acalmá-la com uma paciência infinita.
— Eu não tenho cólica. Por que eu beberia isso? Não seja teimosa, tome pelo menos um pouco. A Cecília Lage garantiu que funciona.
Mas Rebeca Ribeiro soltou-se bruscamente da mão dele.
Sua voz continuou fria e distante.
— Obrigada por me trazer ao hospital. Desculpe pelo incômodo.
A palavra "obrigada" soou extremamente distante.
Era a melhor arma para afastar alguém.
Ela pegou o casaco e a bolsa e se dirigiu à saída.
O sorriso nos lábios de Samuel Batista desapareceu aos poucos.
Ele não conseguia entender.
Estava tudo bem até agora. Por que ela mudou de atitude tão de repente?
Por que o coração dela parecia impossível de ser aquecido?
Mas não havia tempo para pensar muito.
Rebeca Ribeiro já havia aberto a porta e saído pelo corredor.
Samuel Batista correu atrás dela imediatamente, esquecendo completamente o chá que Cecília Lage havia trazido.

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