Filipe Cruz observou cada movimento dela.
O coração de Filipe Cruz apertou-se subitamente, especialmente ao vê-la assinar os papéis sem a menor hesitação.
O papel em suas mãos era leve como uma pluma, mas parecia esmagar o seu peito com o peso de uma montanha.
Aquilo o deixava quase sem fôlego.
Ela não... gostava tanto dele?
Como ela pôde assinar algo tão importante com tanta facilidade?
Ou talvez essa fosse apenas mais uma das suas estratégias para se fazer de difícil?
Filipe Cruz não conseguia discernir as intenções dela e travou o maxilar repetidas vezes.
— Assine logo! O que você está esperando? — A vovó Cruz advertiu, perdendo a paciência.
— Eu preciso pedir ao meu advogado que revise estas cláusulas. — A voz de Filipe Cruz soou rouca e os seus movimentos pareciam letárgicos enquanto ele engolia em seco.
— Você não confia nem em mim? Pois muito bem, eu também vou consultar um advogado para descobrir como posso deserdar você! — A vovó Cruz lhe deu um chute na perna antes mesmo que ele terminasse de falar.
— Avó, eu estou apenas seguindo o protocolo normal. — Filipe Cruz estava com uma tremenda dor de cabeça.
— As minhas regras são o protocolo. Assine isso logo e pare de enrolar! — A vovó Cruz exigia uma resolução imediata. — A minha querida neta está no auge da vida e você não deve atrapalhar o futuro dela. A juventude de uma mulher é efêmera e não vale a pena ser desperdiçada com alguém como você! Eu só poderei organizar encontros às cegas para ela depois que vocês se divorciarem. Você seria capaz de compensá-la caso a fizesse perder o amor da sua vida?
O rosto de Filipe Cruz ficou ainda mais tenebroso.
Ele conhecia o temperamento da idosa e sabia que ela não desistiria até conseguir uma resposta definitiva.
Ele poderia resistir o quanto quisesse, mas a saúde da avó certamente não suportaria tamanho estresse.
— O médico recomendou que você mantenha a calma devido à pressão alta. Você não deve se exaltar. — A senhorita que a acompanhava confortou a idosa, parecendo colaborar com aquele momento de tensão.
— É verdade, avó. Por favor, não se irrite. — Helena Castro apressou-se em massagear as costas da idosa para acalmá-la.
— Assine isso. Se você discordar de alguma cláusula, nós podemos discutir isso mais tarde, já que a divisão de bens entre os cônjuges tornará o processo de divórcio mais complexo e demorado. — Ela voltou-se para Filipe Cruz após consolar a avó.
Foi apenas nesse momento que Filipe Cruz finalmente assinou os papéis.
A idosa sempre havia sido uma mulher de ação desde a juventude e ela sempre cumpria o que prometia.
Ela levou os dois imediatamente ao cartório.
Ela não tinha a menor intenção de pegar uma carona com Filipe Cruz para deixar o local.
— Para onde você vai? Eu posso te dar uma carona no meu caminho. — No entanto, Filipe Cruz a seguiu rapidamente.
— Não é necessário, pois eu não sou tão pobre a ponto de não conseguir pagar por um táxi. — Helena Castro recusou a oferta num piscar de olhos.
— Por que você sempre fala comigo com esse tom de voz? — Filipe Cruz franziu levemente a testa.
As desavenças entre eles na maioria das vezes aconteciam justamente por causa daquele temperamento difícil dela.
Filipe Cruz sempre desejou que Helena Castro fosse sensata, elegante e gentil.
Ele queria que ela abandonasse a sua carreira na indústria do entretenimento e se contentasse em ser a respeitável senhora da família Cruz.
Afinal, a família Cruz definitivamente não precisava dos trocados insignificantes que ela recebia.
Mas ela agia exatamente de maneira oposta a isso.
Ela era uma mulher imprudente, com um gênio explosivo e vivia sempre armada com espinhos afiados.
Além disso, ela sempre preferiu carreiras que a expusessem publicamente.

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