Helena Castro não suportou mais aquela situação.
Ela aproveitou o momento em que Filipe Cruz estava distraído cuidando de Roberta Lobato e lhe desferiu um tapa no rosto.
O golpe soou alto e impiedoso.
— A sua queda realmente não teve nada a ver comigo! Mas este tapa, sim, foi obra minha! — Exclamou ela. — Além disso, este amuleto carrega uma energia espiritual e não foi consagrado para você. Você sofrerá as consequências cósmicas se usá-lo!
— Já chega...
Filipe Cruz tentou conter Helena Castro.
Helena Castro desferiu um tapa de revés no rosto dele também.
Foi um golpe ainda mais forte e barulhento do que o anterior.
O impacto fez com que a palma da mão de Helena Castro formigasse.
— Abra bem esses seus olhos cegos e veja que é assim que se faz uma cena! — Disse ela a Filipe Cruz, em meio aos gritos histéricos de Roberta Lobato.
— Helena Castro, será que eu tenho sido complacente demais com você? — Indagou Filipe Cruz, com uma expressão frígida.
A marca da mão dela estava nitidamente estampada na bochecha dele.
— Por isso mesmo eu me sinto tão encorajada a agir.
O rosto de Filipe Cruz ficou lívido.
No entanto, antes que ele pudesse explodir de raiva, a voz imponente da vovó Cruz soou na porta: — O que está acontecendo aqui?
Roberta Lobato temia profundamente a idosa.
Ela recuou imediatamente, escondendo-se atrás de Filipe Cruz.
— Avó. — Cumprimentou Filipe Cruz, tentando reprimir a própria fúria.
A idosa examinou o ambiente com um olhar penetrante.
Ela notou a marca de tapa no rosto de Filipe Cruz e logo identificou a mesma vermelhidão na face de Roberta Lobato.
Finalmente, ela olhou para Helena Castro e respirou aliviada ao perceber que o rosto da neta postiça estava intacto.
O importante era que a sua querida neta não havia saído perdendo.
— Venha lá fora comigo por um momento. — Disse ela a Filipe Cruz, assumindo uma expressão rígida. Ao se virar para falar com Helena Castro, o seu tom tornou-se incrivelmente dócil. — Querida, por favor, ajude a sua avó a caminhar.
Filipe Cruz a seguiu com um semblante pesado.
A vovó Cruz continuou caminhando até encontrar um canto silencioso para se sentar.
Quando a idosa havia preparado aquele acordo de divórcio?
— Querida, eu adicionei algumas cláusulas novas. Dê uma olhada. Se você não tiver objeções, assine os papéis e logo irei acompanhá-los ao cartório para oficializar o divórcio. — Disse a vovó Cruz, entregando-lhe a outra cópia do documento.
Para ser honesta, Helena Castro estava ligeiramente aturdida naquele momento.
Afinal, ela havia gastado muita energia tentando convencer Filipe Cruz a aceitar o divórcio.
Contudo, Filipe Cruz sempre se recusara a cooperar.
Como resultado, o processo não havia avançado um centímetro mesmo após dois meses.
Isaque Farias havia lhe dito que um processo de divórcio parecia simples, mas poderia se arrastar por um longo período se uma das partes se recusasse a colaborar.
Ele havia aconselhado que ela se preparasse mentalmente.
E agora, a idosa acabara de lhe entregar a oportunidade perfeita.
Helena Castro nem sequer se preocupou em revisar as novas cláusulas.
Ela apenas procurou apressadamente por uma caneta para assinar.
Ela sentiu um imenso alívio lavar o seu corpo ao traçar a sua assinatura com elegância.

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