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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 807

A caneta deslizou bruscamente por entre os dedos de Rebeca Ribeiro, cravando uma linha caótica sobre a folha de papel que destruiu a simetria impecável da sua caligrafia.

Aquele traço brusco representava com exatidão a calmaria desfeita daquela tarde.

— Presidente Ribeiro, a senhora ainda está me ouvindo ou encontrou algum erro nos dados que eu acabei de lhe repassar, por favor me instrua? — Indagou cautelosamente o subordinado do outro lado da linha, estranhando o silêncio repentino da sua superiora.

Rebeca Ribeiro encerrou a chamada sumariamente ao levantar-se da cadeira de um salto.

Ela inspecionou rapidamente as duas extremidades da divisória de bambu e constatou que ambas as pontas estendiam-se por muitos metros, o que exigiria um contorno demorado até alcançar o espaço vizinho.

Impulsionada pela pressa de agarrar a sua presa, ela calculou visualmente a rota mais curta e avançou apressadamente nessa direção.

O seu foco cego em surpreender Samuel Batista de imediato custou a sua atenção no caminho, impedindo-a de avistar a garçonete que caminhava no sentido oposto carregando uma pesada bandeja com louças.

A colisão frontal entre as duas mulheres foi forte e inevitável.

Todo o conteúdo da bandeja espatifou-se cruelmente contra o piso de pedra, gerando uma estridente sinfonia de pratos e taças estilhaçadas.

O estrondo ecoou estrondosamente por toda a área externa do restaurante.

Rebeca Ribeiro amparou os braços da jovem assustada, pedindo perdão profusamente pelo seu descuido inaceitável e garantindo o ressarcimento de todos os prejuízos materiais.

Após certificar-se de que não havia ferimentos graves, a mulher declarou o seu nome à pressa e ordenou que as despesas do incidente fossem anexadas integralmente na conta da sua mesa.

A pobre funcionária balançou as mãos em pânico ao reconhecer a identidade da cliente VIP, afirmando freneticamente que a falha fora exclusiva da sua parte e que a senhora não carregava nenhuma parcela de culpa naquilo.

Afinal, a figura diante dela não era ninguém menos que a imperatriz financeira da Cidade R, e apenas um louco tentaria extorqui-la através de um pequeno acidente.

Rebeca Ribeiro não tinha um milésimo de paciência para continuar discutindo miudezas financeiras quando a sua cabeça rodava em torno do que estava acontecendo do outro lado do biombo decorativo.

Com um aceno veloz de despedida, ela contornou o pequeno pavilhão coberto de folhagens na beirada e, finalmente, irrompeu na área oculta pela parede de bambu.

O cenário que se revelou ali era um recanto de paz celestial margeado por um regato de águas cristalinas, adornado por uma beleza singular.

Por ser um canto recuado e íntimo, o local comportava apenas uma única mesa rústica de madeira no centro.

Aquela área reservada figurava como o santuário exclusivo para os convidados de honra do prestigiado restaurante.

No entanto, a mesa abrigava uma única presença naquele instante.

Rui Passos encarava Rebeca Ribeiro de volta, ostentando a mais patética expressão de inocência forçada que conseguiu conjurar.

O seu braço direito levantou-se com a rigidez de um robô defeituoso para cumprimentá-la sob a pressão daquele olhar fulminante, enquanto os seus lábios repuxavam-se num sorriso brilhante.

O único problema era a falsidade descarada da sua expressão, semelhante ao trejeito torto de um refém num cativeiro.

— Que surpresa maravilhosa vê-la depois de tanto tempo, Presidente Ribeiro. — Saudou ele em um tom trêmulo.

Rebeca Ribeiro varreu o espaço milimetricamente com os olhos, mas não encontrou qualquer outra silhueta além da de Rui Passos.

Um último e prolongado suspiro de alívio varreu a sua tensão antes de agarrar o aparelho celular para discar furiosamente para o verdadeiro culpado daquele vexame apocalíptico.

Samuel Batista atendeu a ligação de forma muito arrastada e sonolenta, isento do menor vestígio de remorso ou nervosismo em sua voz.

— Samuel, imploro de joelhos que jamais ouse jogar-me aos leões do interrogatório furioso de Rebeca Ribeiro sozinho novamente, eu sinto verdadeiro terror dessa mulher. — Suplicou Rui Passos.

Ele sempre havia abrigado um medo primitivo da personalidade de Rebeca Ribeiro na sua juventude.

Esse pavor amplificara a um ponto excruciante durante os últimos anos com o sucesso profissional desproporcional da mulher, o que fez escalar a sua autoridade e, principalmente, consolidar a sua temida aura tirânica.

Ele tremia incontrolavelmente perto dela hoje em dia.

Ele se assemelhava a um roedor de esgoto encurralado pelos dentes de um felino predador.

— Desde quando você se tornou um medroso patético? — Debochou Samuel Batista, a sua audácia mantendo-se perfeitamente inabalada ao invés de se sentir minimamente constrangido pelo sacrifício do seu amigo.

Rui Passos perdeu a própria voz por alguns dolorosos segundos.

Se você ostenta tanta coragem no fundo desse seu peito, por que diabos escolhe esconder-se igual a uma tartaruga covarde na sua carapaça ao invés de encará-la cara a cara?

Obviamente, o instinto de preservação ditou que esses insultos venenosos ecoassem estritamente no silêncio da sua mente conturbada, evitando que eles saltassem da sua língua.

— Essa sua brilhante estratégia de fuga contínua não é sustentável a longo prazo de forma alguma! — Resmungou ele frustrado. — Nós convivemos na mesma metrópole e as colisões inesperadas são apenas uma questão de estatística, a exemplo desse acidente milagroso com a garçonete, o que salvou o seu traseiro estúpido de ser flagrado de imediato!

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