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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 806

— Assine os papéis do divórcio de uma vez por todas e pare de atrasar a vida da minha neta, pois ela merece um homem muito superior a você! — Exigiu vovó Cruz de forma implacável, interrompendo qualquer tentativa esfarrapada de justificativa e farta daquela conversa inútil.

O toque agudo de encerramento da chamada soou antes mesmo que Filipe Cruz pudesse articular uma resposta.

Filipe Cruz permaneceu congelado com o telefone pressionado contra o ouvido, e os seus olhos escuros turvaram-se com um misto complexo de emoções indecifráveis.

— Nós nunca iremos nos divorciar. — Murmurou ele para a linha morta, muito tempo depois.

Roberta Lobato compôs meticulosamente a sua expressão compassiva antes de caminhar a passos graciosos em direção ao carro do homem.

A ponta dos seus dedos nem sequer encostou na maçaneta de metal quando o veículo acelerou brutalmente e a deixou para trás.

A máscara de doçura no seu rosto despedaçou-se em uma rigidez paralisante.

Aquela foi a primeira vez na sua vida que Filipe Cruz a tratara com tamanho descaso e esquecera da sua existência.

O tempo passou lentamente.

Rebeca Ribeiro já esperava por cerca de dez minutos quando Helena Castro finalmente adentrou o Botequim da Esquina.

— Eu peço mil desculpas, tia, o trânsito estava caótico e acabei me atrasando um pouco, vocês esperaram demais? — Desculpou-se Helena Castro, sentindo-se genuinamente culpada.

— Não se preocupe, minha querida, nós também chegamos há pouquíssimo tempo. — Respondeu Klara Rocha com um sorriso carinhoso, servindo-lhe uma xícara de chá fumegante.

— Eu não lhe disse que não era necessário trazer presentes, já que você sabe perfeitamente que eu não comemoro essa data? — Questionou Helena Castro ao notar a bela sacola repousando na cadeira vazia ao seu lado, dirigindo o seu olhar acusador para Rebeca Ribeiro.

— Essa embalagem não foi um presente meu. — Defendeu-se Rebeca Ribeiro com um aceno de cabeça negativo.

— Então quem poderia ter enviado isso? — Indagou Helena Castro, tomada pela confusão.

— O meu colega, Edivaldo Serra. — Revelou a amiga.

— Ele também está na Cidade R? — Perguntou Helena Castro com a voz trêmula, paralisando a xícara de chá a meio caminho dos lábios.

— Ele esteve na VerdaVita de manhã para tratar de negócios e me pediu para lhe entregar isso pessoalmente, mas acredito que ele já esteja a caminho de volta para a Cidade N a essa hora. — Explicou Rebeca Ribeiro.

Helena Castro soltou um suspiro de alívio silencioso em seu interior.

Ela bebeu mais um gole de chá apenas como um pretexto para lançar olhares disfarçados em direção à lembrança enviada por Edivaldo Serra.

A curiosidade consumia-a, imaginando qual seria o conteúdo daquela caixa misteriosa.

Rebeca Ribeiro deslizou um envelope com vários documentos pela mesa, pedindo para Helena Castro assiná-los enquanto aguardavam a refeição.

A visão daquele aglomerado sufocante de letras e parágrafos fez a cabeça de Helena Castro latejar, obrigando-a a perguntar do que se tratava aquela papelada interminável.

— São apenas algumas formalidades contratuais que exigem a sua assinatura. — Respondeu Rebeca Ribeiro secamente, sem sequer erguer os olhos da tela do celular.

O principal recado era provar ao mercado o quão rigorosos eram os critérios de seleção da marca, reforçando a mensagem de que apenas figuras públicas que espelhassem os valores altíssimos de prestígio e imagem da empresa eram dignas de representá-la.

Essa aliança formidável elevava vertiginosamente o valor percebido da LAU e catapultava o prestígio de Helena Castro na indústria do entretenimento.

Era a jogada de mestre perfeita para o benefício de ambas as partes.

O resultado do trabalho árduo de Rebeca Ribeiro durante esses três anos não foi apenas o resgate de uma operação fracassada, mas a conquista esmagadora do primeiro lugar no ranking global de faturamento da marca entre todos os territórios de atuação.

A própria administração internacional aplaudiu o desempenho de Rebeca Ribeiro de pé, considerando-a um gênio indiscutível do marketing e confiando as rédeas de todas as outras marcas do conglomerado sob o comando dela.

Helena Castro contentava-se em permanecer leiga nos complexos assuntos empresariais, seguindo cegamente qualquer decisão tomada por Rebeca Ribeiro com a sua confiança inabalável.

Em um determinado momento da refeição, Rebeca Ribeiro precisou retirar-se para a área de paisagismo do pátio interno para atender uma importante ligação de negócios.

Ela permanecia imersa no relatório minucioso da outra parte da linha, utilizando uma caneta e papel para anotar todas as informações vitais.

O telefonema arrastou-se por um longo período de tempo.

Já nos minutos finais da conversa, os ouvidos de Rebeca Ribeiro captaram um som assustadoramente familiar do outro lado da parede de bambu decorativa.

— Samuel, você veio até este lugar incrível só para cair no sono? — Indagou a voz inconfundível de Rui Passos.

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