Muito tempo depois de a pergunta ser feita, Samuel Batista finalmente respondeu.
— Não sei.
Quando Rebeca Ribeiro retornou à mesa, Helena Castro não hesitou em perguntar.
— Por que você demorou tanto?
— Estava resolvendo uns assuntos de trabalho, acabei me atrasando um pouco, mas vamos comer. — Respondeu ela.
Quando Filipe Cruz finalmente encontrou Helena Castro, já passava das nove da noite.
Ela havia acabado de voltar ao hotel e tomado um banho, mas nem secou os cabelos, mantendo a atenção fixa no presente que Edivaldo Serra lhe enviara.
Pela embalagem refinada, parecia ser uma joia de alto valor.
Era de um bom gosto impecável, exatamente o estilo elegante que as mulheres costumavam adorar.
No entanto, por alguma razão inexplicável, Helena Castro não conseguia se agradar daquilo.
Provavelmente, ele tinha o hábito constante de presentear mulheres, e por isso conhecia tão bem as suas preferências.
Helena Castro virou o rosto para o lado enquanto enxugava os cabelos molhados.
No meio do processo, ela não resistiu, virou-se novamente e decidiu abrir o misterioso pacote.
Como ela já havia previsto, o presente de Edivaldo Serra era mesmo uma joia.
Mas definitivamente não se tratava de uma joia qualquer.
Era um valioso e deslumbrante conjunto de joias de jade imperial roxo.
Os olhos de Helena Castro arderam e ficaram subitamente vermelhos, enquanto um nó doloroso se formava em sua garganta.
Seus dedos tremiam levemente ao acariciar as peças dentro da caixa de veludo, sentindo um aperto avassalador no peito, como se algo a tivesse tocado profundamente.
Aquele conjunto fora desenhado pessoalmente pelo seu pai, como presente exclusivo para o trigésimo aniversário da sua mãe.
Tinha um significado emocional imensurável para ela.
Mas, após a morte repentina de seus pais, todas as joias e objetos de valor da sua mãe foram levados pelo seu tio inescrupuloso e vendidos, sem sobrar absolutamente nada.
Não deixaram sequer uma única lembrança física para que Helena Castro pudesse guardar.
Foi apenas nos últimos dois anos, após adquirir uma certa estabilidade financeira, que ela teve condições de procurar objetos que pertenceram aos seus falecidos pais.
— Filipe Cruz, você perdeu o juízo? — Questionou Helena Castro, irritada por não conseguir fechar a porta, desferindo-lhe um chute indignado. — Nós estamos prestes a nos divorciar, o que você ainda quer comigo?
— Eu vim pedir desculpas. — Disse Filipe Cruz, de forma abrupta, contrariando o seu temperamento orgulhoso e habitual.
— Pedir desculpas pelo quê? — Helena Castro continuava olhando para ele, achando que o homem estava completamente louco.
— Eu não sabia que você não comemorava o seu aniversário... — Filipe Cruz adotou um tom submisso, algo extremamente raro vindo dele. — A vovó brigou muito comigo e admito que o erro foi meu, por isso vim me desculpar adequadamente.
Então ele só achava que havia errado e devia desculpas porque a avó o repreendeu severamente?
Era um gesto falso e totalmente desnecessário.
Verdadeiramente inútil e vazio para ela.
— Não perca tempo com coisas sem sentido. — Respondeu Helena Castro, mantendo uma atitude fria que beirava a pura aversão. — Em vez de estar aqui me aborrecendo, você deveria usar esse tempo livre para conversar com o meu advogado sobre os termos do nosso divórcio.
— Até quando você vai continuar com esse drama infinito? — O rosto de Filipe Cruz escureceu imediatamente ao ouvi-la mencionar a palavra divórcio mais uma vez.
— Filipe Cruz, por que você insiste em achar que o meu pedido de divórcio é apenas uma birra infantil? — Retrucou Helena Castro, cada vez mais perplexa com a arrogância dele. — Por acaso você acredita que eu nunca serei capaz de te deixar, e que estou apenas jogando para chamar a sua preciosa atenção?
— E não é exatamente isso que está fazendo? — Retrucou Filipe Cruz, com um tom de desafio na voz.

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