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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 805

— Você acha que ela é um poço de doçura, tão compreensiva e atenciosa, capaz de deixar as desavenças no passado para lhe informar a data do meu aniversário, e por isso eu deveria engolir o meu orgulho e aceitar os mimos que ela escolheu com tanto empenho? — Questionou Helena Castro a Filipe Cruz, abrindo um sorriso que não carregava nenhum traço de diversão, mas sim de fúria contida.

O tom de voz dela transbordava um sarcasmo venenoso.

Os olhos de Filipe Cruz tornaram-se duros e frios, pois ele detestava profundamente quando Helena Castro usava aquele tipo de retórica.

— Você perdeu completamente a capacidade de conversar como uma pessoa civilizada? — Retrucou ele.

— Eu apenas adapto a minha linguagem de acordo com o meu interlocutor, falando como gente para os seres humanos e latindo para os cães. — Ironizou Helena Castro com uma risada de escárnio.

— Já que a sua adorável companheira é tão bem-intencionada, por acaso ela não lhe mencionou o pequeno detalhe de que eu nunca celebro o meu aniversário?

— Sabe por que eu estou abrindo mão de todos os bens no divórcio, Filipe Cruz? É para que você tenha dinheiro suficiente para buscar um tratamento psiquiátrico de urgência e consertar o que há de errado com o seu cérebro! — Disparou a mulher, com a voz embargada de raiva.

Sem perder mais um segundo sequer, Helena Castro virou as costas e marchou em direção à saída do edifício.

O semblante de Filipe Cruz assumiu uma tonalidade ainda mais sombria e ameaçadora.

— O Filipe, acho que a minha prima nos interpretou mal novamente, quer que eu vá lá fora e explique a situação para ela, pois eu não suportaria ser o motivo de mais uma briga entre vocês dois, muito menos que a sua longa viagem tenha sido em vão. — Sussurrou Roberta Lobato, apertando as alças da sacola com os olhos marejados de uma suposta injustiça.

Ela fez uma pausa calculada após o seu discurso vitimista para estudar as reações no rosto do homem.

No entanto, os longos segundos se arrastaram sem que ele proferisse uma única palavra em resposta.

Ele parecia perdido nos próprios pensamentos e com as sobrancelhas unidas, como se estivesse completamente surdo ao pranto dela.

— Eu vou mandar uma mensagem para ela e pedir perdão por ter causado esse transtorno. — Insistiu Roberta Lobato, mordendo o lábio inferior e puxando o celular da bolsa em uma atuação dramática.

— Não precisa. — Cortou Filipe Cruz em um tom gelado e distante, acrescentando em seguida: — Por que ela não comemora o aniversário?

Um nó apertou-se no estômago de Roberta Lobato ao ouvir aquela pergunta.

Ela detestava quando a atenção de Filipe Cruz focava-se inteiramente na figura de Helena Castro.

— Eu acho que tem algo a ver com a minha tia, mas eu era apenas uma criança na época e as minhas memórias são muito vagas. — Mentiu ela, umedecendo os lábios e soando propositalmente confusa.

Felizmente para os seus planos, Filipe Cruz não insistiu no interrogatório e saiu correndo com o rosto fechado na mesma direção que a esposa havia seguido.

Mas, obviamente, os seus esforços para alcançá-la foram inúteis.

O veículo que aguardava por Helena Castro já estava com o motor ligado e ela desapareceu da sua vista no exato instante em que ele atravessou as portas de vidro.

A única coisa que sobrou para Filipe Cruz foi a visão das lanternas traseiras afastando-se no tráfego.

Ele permaneceu plantado na calçada, encarando o asfalto vazio com a expressão turva e o peito inundado por uma frustração que ele não conseguia compreender.

Por alguma razão obscura, a intuição lhe dizia que Helena Castro havia mudado drasticamente.

Filipe Cruz engoliu seco para conter a fúria em ebulição no seu sangue e atendeu o chamado.

— Você foi para a Cidade N? — Perguntou vovó Cruz.

— Fui. — Respondeu ele de forma sucinta.

— E você arrastou aquela cobra peçonhenta da Roberta Lobato junto com você novamente? — Alfinetou ela sem qualquer sutileza.

— Eu vim apenas para comemorar o aniversário de Helena Castro. — Explicou Filipe Cruz, após uma breve hesitação.

— Aposto que foi a própria Roberta Lobato quem arquitetou esse plano brilhante de você ir até lá celebrar essa data, não é mesmo? — Indagou vovó Cruz, soltando uma risada seca de indignação.

Filipe Cruz perguntava-se qual pecado mortal ele havia cometido contra os céus para que todos passassem a tratá-lo com aquele tom de puro desprezo e hostilidade.

Ele podia repreender Helena Castro livremente, mas não tinha o direito de levantar a voz contra a sua avó.

— A Roberta só estava tentando ajudar, pois ela percebeu que a nossa relação não estava nos melhores termos e sugeriu essa ideia, não havia nenhuma malícia da parte dela. — Defendeu ele, forçando-se a manter a compostura.

— Eu chego a duvidar que a sua mãe tenha lhe dado um cérebro no nascimento, pois se você demonstrasse um pingo de consideração pela minha neta, saberia que ela abomina o próprio aniversário porque essa é exatamente a data de falecimento da mãe dela! — Disparou a idosa com fúria.

O coração de Filipe Cruz contraiu-se violentamente no peito e uma sensação de queimação insuportável tomou conta dos seus pulmões, sufocando-o.

— Eu realmente não fazia ideia disso... — Sussurrou ele após uma longa eternidade de choque, com a voz embargada por uma genuína apreensão.

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