O outro motivo era a esperança de conseguir interceptar Samuel Batista.
No entanto, os seus esforços foram em vão.
Samuel Batista parecia ter evaporado da face da terra.
O seu telefone estava sempre desligado, as mensagens não tinham resposta e ela não conseguia sequer entrar em contato com Rui Passos.
Após retornar para a Cidade R, ela fez mais uma visita à residência da família Batista.
A viagem foi igualmente infrutífera.
Até mesmo Catia comentou que Samuel Batista não aparecia em casa havia um bom tempo.
— Ele pretende ser um covarde que se esconde na sua própria carapaça pelo resto da vida? — Indagou Helena Castro, estalando a língua em desaprovação ao ouvir a história.
Rebeca Ribeiro permaneceu em silêncio.
Somente Deus sabia a resposta para aquilo.
Apesar de tudo, o seu coração havia se acalmado gradualmente durante aquele período e ela passou a refletir muito sobre o passado.
Muitas verdades que antes estavam ocultas tornaram-se claras aos seus olhos naqueles últimos dias.
Era como se ela estivesse conhecendo Samuel Batista novamente.
Todos os eventos recentes gritavam que Samuel Batista se importava profundamente com ela.
Mas o fato de que ele havia escolhido ficar com Beatriz Luz também era real.
Assim como o seu noivado iminente com a outra mulher.
Rebeca Ribeiro compartilhava do mesmo sentimento de Helena Castro e recusava-se a deixar que problemas com homens arruinassem o seu humor, preferindo não prolongar o assunto.
Ambas compreendiam o estado de espírito uma da outra e desviavam dessas conversas de forma engenhosa.
— O seu aniversário é amanhã, como você quer comemorar? — Indagou Rebeca Ribeiro.
— Eu ainda não decidi, pois você sabe que eu não comemoro o meu aniversário há muitos anos. — Respondeu Helena Castro.
A data do seu nascimento coincidia perfeitamente com o aniversário de casamento dos seus pais.
E havia sido exatamente nesse mesmo dia que a sua mãe cometeu suicídio.
Ela havia abolido qualquer celebração desde a morte de sua mãe.
— Então vamos apenas fazer uma refeição simples juntas. — Sugeriu Rebeca Ribeiro, evitando aprofundar-se na ferida da amiga.
— Combinado, vamos convidar a sua tia também. — Concordou Helena Castro.
A reserva foi feita por Rebeca Ribeiro em um restaurante chamado Botequim da Esquina.
Era Roberta Lobato.
— Fui eu quem contou para o Filipe. — Explicou Roberta Lobato, com a voz mansa.
— Você é realmente uma intrometida de primeira classe! — Zombou Helena Castro, soltando uma risada gélida.
Fazia sentido, pois não havia a menor chance de Filipe Cruz lembrar-se daquela data por conta própria.
— Que maneira de falar é essa? Nós viemos da Cidade N com as melhores intenções para celebrar o seu dia e a Roberta até escolheu um presente para você com muito carinho, e essa é a sua atitude? — Repreendeu Filipe Cruz, franzindo a testa em descontentamento com a agressividade da esposa.
Como se tivessem ensaiado a cena, Roberta Lobato prontamente ofereceu a sacola de compras que carregava nas mãos.
— O Filipe disse que não sabia do que você gostava e me pediu para preparar um presente em nome dele também, então há dois aqui dentro, e eu espero sinceramente que você goste. — Murmurou ela, fingindo estar pisando em ovos.
Helena Castro não fez nenhum movimento para receber a sacola.
E não havia a menor possibilidade de ela aceitar aquilo!
Um calafrio de repulsa percorreu a sua espinha.
— A Roberta passou o dia inteiro escolhendo esses presentes, portanto, não menospreze a boa vontade dela. — Advertiu Filipe Cruz, com as sobrancelhas unidas ao notar que a outra mulher continuava com os braços estendidos no ar.
Era evidente que ele temia que Helena Castro colocasse Roberta Lobato em uma situação constrangedora.

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