— Desculpe, o número para o qual você ligou encontra-se temporariamente indisponível, por favor, tente novamente mais tarde.
Uma voz robótica e gélida ecoou pelo alto-falante do telefone.
Ela tentou mais uma vez, mas o resultado foi o mesmo.
Rebeca Ribeiro discou o número de Rui Passos em seguida, porém também não obteve sucesso.
Era impossível saber se eles estavam ignorando as chamadas propositalmente ou se os aparelhos estavam desligados.
O fato era que Samuel Batista continuava incomunicável.
E, naquele exato momento, o destino de Brunela Martins ainda era incerto.
Rebeca Ribeiro temia que Samuel Batista tomasse alguma atitude drástica por causa dela.
Ele mal havia saído da prisão e a sua vida não suportaria mais nenhuma turbulência.
Além disso, a família Martins era uma das mais influentes da Cidade H, e mesmo em declínio, ainda possuía um poder formidável.
Estavam no território deles e, se fossem encurralados a ponto de um confronto direto, Samuel Batista dificilmente sairia ileso.
Após hesitar por um longo momento, Rebeca Ribeiro ligou para Cassio Almeida, na esperança de conseguir contatar Joel Almeida através dele.
Joel Almeida possuía muitos contatos e talvez soubesse de algo.
— Encontraram Brunela Martins e foi mesmo Samuel Batista quem a levou, mas o meu irmão já mandou buscá-la e eu estou no cais agora mesmo. — Informou Cassio Almeida logo que atendeu a ligação.
Rebeca Ribeiro perguntou o endereço e partiu imediatamente para lá.
Vinicius Martins também estava presente e a sua expressão tornou-se levemente desconfortável ao vê-la.
O grupo aguardou no cais por cerca de quarenta minutos até que uma lancha se aproximou da margem.
Joel Almeida estava de pé na proa e acenou brevemente para as pessoas no píer.
Assim que a embarcação atracou, ele ordenou que os seus homens escoltassem Brunela Martins para fora.
— Que nojo! — Completou ela, cheia de asco.
Helena Castro sentia do fundo do coração que esbarrar em um ser humano tão insensível quanto Filipe Cruz era o seu pior carma.
Ela certamente havia cometido crimes hediondos em uma vida passada para estar sendo castigada dessa maneira agora!
— Isso não foi uma tentativa de reconciliação, mas sim uma negociação fria como se você fosse uma parceira de negócios, e com uma atitude muito arrogante, por sinal. — Ponderou Rebeca Ribeiro, mantendo a racionalidade de uma observadora externa.
Não havia o menor traço de afeto conjugal naquelas palavras.
— Samuel Batista ainda está fugindo de você? — Perguntou Helena Castro, mudando de assunto abruptamente para não ter que ouvir mais nada sobre Filipe Cruz e poupar a própria sanidade.
— Sim, ele está se escondendo. — Respondeu Rebeca Ribeiro, ajeitando os óculos sem armação no nariz enquanto o seu movimento de digitar no teclado pausou imperceptivelmente por meio segundo.
Rebeca Ribeiro havia permanecido na Cidade H por mais uma semana após o resgate de Brunela Martins.
Um dos motivos era para monitorar os movimentos da família Martins e prevenir qualquer tentativa de vingança.

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