— Foi você quem provocou tudo isso primeiro, entende?
Samuel Batista aumentou a pressão da lâmina gradualmente.
— A lição de cinco anos atrás não foi suficiente? Por que insistiu em provocá-la? Eu te avisei, mas foi você quem não quis aprender.
As costas da faca deixaram uma marca visível em seu pescoço trêmulo.
Naquele instante, parecia que o fôlego de Brunela Martins havia sido roubado.
Ela não ousava sequer respirar.
Temia que o menor movimento pudesse provocar o homem de expressão sombria diante dela.
Jamais vira uma expressão tão aterrorizante no rosto de um homem.
Era um rosto inegavelmente belo, mas que agora fazia sua espinha gelar.
— Eu errei, por favor, me deixe ir, eu realmente errei. — Suplicou Brunela Martins, verdadeiramente apavorada. — Eu nunca mais farei isso, eu imploro, me solte.
Lágrimas inundaram seus olhos instantaneamente, caindo misturadas ao suor frio.
Seu corpo inteiro começou a tremer violentamente.
Samuel Batista moveu lentamente o cabo da faca, fazendo a ponta deslizar para cortar as cordas que a prendiam.
Brunela Martins pensou que ele a havia poupado e estava prestes a chorar de gratidão.
Samuel Batista descartou a adaga e, ao se virar, instruiu os homens no quarto:
— Façam boa companhia à Srta. Martins.
Antes que Brunela Martins pudesse compreender a situação, Samuel Batista e Rui Passos já haviam partido.
A porta se fechou novamente, mergulhando o quarto na escuridão.
Ela lutou para se levantar, mas descobriu que seus membros estavam flácidos e impotentes.
Seu corpo também começou a reagir de maneira estranha.
Sentia um calor intenso.
Parecia haver milhares de formigas rastejando sobre sua pele.
— O que vocês me deram? Por que estou me sentindo tão mal? — Gritou Brunela Martins, rasgando as próprias roupas desordenadamente.
— A Srta. Martins não deveria estranhar isso. O medicamento não foi obtido por você mesma? Você deveria conhecer seus efeitos melhor do que nós.
Que efeitos?
Seria aquela a droga que ela mandara administrar secretamente em Rebeca Ribeiro?
Não!
O rosto de Brunela Martins foi tomado pelo pânico.
— Me deixem sair! Rápido, me deixem sair!
— Há cinco anos, exatamente nestas águas, o tempo estava como hoje à noite. O vento castigava e as ondas revoltas garantiam que, mesmo um nadador experiente, teria poucas chances de sobrevivência, mas Brunela Martins ordenou que ela fosse atirada ao mar.
Aquela era uma cena que ele jamais esqueceria.
Mesmo após quase dois mil dias.
Mesmo com a certeza de que Rebeca Ribeiro estava agora sã e salva.
Sempre que recordava aquele momento, ele ainda sentia um medo e um pânico avassaladores.
Ao mencionar o fato, sua voz tremia.
Sua garganta se fechava involuntariamente.
— Se eu tivesse chegado um segundo sequer mais tarde, não teria conseguido salvá-la.
Ele planejara sua vingança por anos.
Sabia claramente que ele e Rebeca Ribeiro poderiam seguir caminhos opostos.
Ele poderia aceitar que ela vivesse uma vida sem ele, que se casasse e tivesse filhos com outro homem, desde que fosse feliz.
Mas a única coisa que ele não podia aceitar era a morte dela.
Muito menos que ela morresse diante de seus olhos.
Portanto, Brunela Martins merecia morrer!

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