Os dois, perdidos no desejo, travaram ao mesmo tempo.
Samuel pegou de qualquer jeito o celular que estava no console central, mas acabou apertando o botão de atender sem querer.
O celular estava conectado ao Bluetooth, e a voz meio curiosa de Rui Passos soou pelo sistema de som do carro de um jeito muito invasivo, tão clara que parecia que ele estava sentado no banco de trás.
— Samuel? E aí? Já conquistou a Rebeca?
O ar pareceu congelar naquele segundo.
O rosto de Rebeca ficou vermelho como um pimentão instantaneamente.
Samuel respirou fundo, forçando-se a engolir a irritação por ter sido interrompido. Sua voz estava tão fria quanto o gelo: — Pelo jeito, você ainda tem tempo de sobra, não é?
Rui ficou sem reação do outro lado da linha por um momento.
Logo depois começou a gritar escandalosamente: — Eu com tempo de sobra? Samuel, a sua consciência não pesa quando diz isso? Já faz um ano que não tiro férias! Até agora eu tô fazendo hora extra na empresa!
O tagarelar dele estava dando dor de cabeça em Samuel.
— Até pra te ligar preocupado assim, eu aproveitei o intervalo pro café da minha reunião!
— Como você pode retribuir assim a minha ajuda?!
— E também só te dei esse conselho por ver você se esforçando tanto pra conquistar a Rebeca, e fiquei com pena achando que você ia entrar em depressão!
— Se essa tática de hoje não funcionar, eu tenho outra ideia aqui.
— Você conhece o Clube Encanto, certo? Você pode ir lá pegar umas dicas, os rapazes de lá têm muita experiência em conquistar ricaças. Você vai lá e...
Samuel desligou o telefone no ato.
Um silêncio mortal caiu sobre o interior do carro.
Aquela ligação chata do Rui Passos caiu como um balde de água fria, apagando de vez o incêndio que havia acabado de acender ali dentro.
Rebeca endireitou-se de forma meio desengonçada e, com os dedos tremendo de leve, soltou o cabelo que tinha acabado de amarrar.
Os fios longos e lisos despencaram, encobrindo suas orelhas e bochechas avermelhadas.
Ela respirou fundo algumas vezes, tentando acalmar os batimentos descontrolados no peito.
Embora a voz dela ainda guardasse um rastro da tensão e rouquidão, comparada com a euforia apaixonada de momentos antes, agora ela estava sem dúvida bem mais calma.
— Eu preciso entrar.
Ela manteve os olhos baixos, sem coragem de encarar os olhos do homem ao seu lado.

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