Toda a sua energia parecia ter sido drenada, deixando que ele saqueasse desenfreadamente o que quisesse naquele pequeno espaço.
Nos últimos tempos, o relacionamento deles era como caminhar na corda bamba.
Mesmo estando tão íntimos a ponto de ouvir o batimento cardíaco um do outro, sempre paravam bruscamente no momento crucial.
Mantendo, de forma cautelosa, um equilíbrio tênue, como se jogassem um jogo de cumplicidade mútua.
Mantendo as fronteiras a todo instante, mas também prontos para ultrapassá-las a qualquer momento.
Quando ela se deixava levar pela paixão, o seu controle era até menor que o de Samuel.
E nos olhos dele, escondia-se um desejo impossível de ocultar.
Sempre que se aproximavam, os músculos retesados revelavam a sua tolerância contida.
Como naquele momento.
A palma fervente de Samuel pousava na sua nuca, o polegar roçando levemente a sua pele; um toque controlado, mas carregado de uma força impetuosa e irrecusável.
E, antes de perder de vez o controle, ele sempre recuava um pouco, encostando a testa na dela, a respiração arfando frenética e escaldante.
Rebeca ergueu o olhar e esbarrou nos olhos dele.
Onde se agitavam as emoções que ela tão bem conhecia.
Repressão, desejo e também uma dor imperceptível.
De repente, ela notou que, na maioria das vezes, conter a si mesmo lhe custava muito mais caro do que ela julgava.
— Rebeca. — Ele sussurrou o nome dela com uma voz tão ríspida como se tivesse sido lixada. O polegar passou pela boca avermelhada dela após os beijos. — Pode ficar um pouco mais aqui comigo?
O coração dela estremeceu.
A barreira no seu peito começou a ruir.
A respiração dele seguia embaralhada e ofegante.
O pomo de adão saltava e descia, contudo, ele não avançou mais um passo.
Cumpria o prometido, embora o desejo fervente nos seus olhos fizesse seu próprio coração saltar.
Embora a corda da razão já estivesse tensa ao seu limite, ele continuava do lado de fora daquela linha demarcada com extremo autocontrole.

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