Devagar, à medida que ela respondia, foi ficando suave.
Como quem prova um tesouro reconquistado.
Com uma ternura que fazia o coração tremer de reverência, ele transformou aquela tormenta impetuosa de agora pouco nesse afeto terno que amolecia tudo.
— Hum... — Rebeca estava ficando sem ar de tanto ser beijada, e soltou um murmúrio baixinho da garganta.
Esse som delicado serviu como o melhor catalisador.
Os dois ficaram emaranhados e apaixonados na escuridão.
A noite espessa era gentil como as águas, preenchendo o peito de Samuel de emoções intensas.
O beijo dele trazia um envolvimento quase devoto, derretendo a última barreira de proteção do coração de Rebeca.
Houve um instante em que ela sentiu que havia arrancado todas as suas defesas.
Sob o calor fervoroso dele, os beijos doces e os afagos tão carinhosos iam varrendo tudo como a brisa.
Rebeca ergueu o rosto de leve, reagindo aos toques dele de forma amadora, mas decidida; uma voz parecia sussurrar em seu coração.
Talvez, ela realmente devesse tentar romper aquelas barreiras para aceitar esse homem cujos olhos refletiam só ela.
No momento exato que o fôlego se cruzava e o clima estava excelente; Rebeca, prestes a finalmente destravar a porta para seus sentimentos, foi interrompida.
"Ding-dong, ding-dong..."
Um toque urgente e animado na campainha rompeu de forma imprevista o silêncio pegajoso que pairava ali no hall.
No visor, o rosto já conhecido de Helena Castro apareceu.
Ela gritava para o olho mágico: — Meu tesouro, você já dormiu? Se não, vem abrir a porta.
Rebeca assustou-se inteira, levando uma descarga elétrica; e aquele estado romântico se partiu em mil pedaços, acordando-a por completo.
Com pressa, tentou empurrar Samuel direto para o quarto: — Se esconde, rápido!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta