Filipe Cruz hesitou por um momento.
Depois de um bom tempo, ele assentiu: — Está bem.
Seguindo a vontade de Helena, o motorista a levou até o aeroporto.
Helena não olhou para trás, descendo do carro com movimentos ágeis e decididos.
Filipe tinha a intenção de pegar a mala dela.
Mas assim que sua mão tocou na maçaneta, Helena já havia dado a volta até a traseira do carro e aberto o porta-malas para retirar sua bagagem.
Sem qualquer hesitação ou demora, nem mesmo uma palavra de despedida ela disse, apenas entrou no meio da multidão.
A mão de Filipe ainda estava no botão de abrir a porta, a ponta dos dedos roçando inconscientemente o metal frio.
Seu pomo de adão se moveu ligeiramente, mas ele não disse nada do começo ao fim.
Ele a viu atravessar a multidão agitada. As costas sem apego nenhum foram tão decisivas que seu coração apertou.
Naquele momento, ele sentiu que ela não estava indo para o portão de embarque, mas caminhando para um futuro que não tinha absolutamente nada a ver com ele.
Filipe forçou um sorriso autodepreciativo; uma dor surda se espalhou por seu peito.
Foi também naquele momento que ele percebeu que algumas partidas são libertações há muito premeditadas.
O vento que soprava pelo saguão do aeroporto trazia o frio em seu rosto, e ele lentamente fechou os olhos. A única imagem que restou em sua mente foi aquela última visão dela de costas.
Elegante, fria, mas como uma lâmina gentil que cortava de forma limpa a última esperança irrealista de seu coração.
...
Assim que o jantar de negócios terminou, Rebeca Ribeiro saiu do restaurante junto com Renato Lage e a filha dele, despedindo-se na porta.
Renato perguntou de forma cortês: — Precisa que eu peça ao motorista para levá-la de volta?
Os dois tiveram uma ótima conversa e acabaram bebendo uns drinks a mais.

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