Ao mesmo tempo, ele virou o rosto e seu olhar repousou calmamente em Cecília. Os cantos de seus lábios se curvaram em um sorriso extremamente leve e totalmente desprovido de calor.
— Não se preocupe. — A voz de Samuel soou sem pressa, carregada com uma certeza inquestionável. — Levá-la para casa é o que eu mais espero todos os dias. Neste caminho, não desvio minha rota por mais ninguém.
Depois de dizer isso, ele não deu a Cecília qualquer chance de falar. Ajudou Rebeca a entrar no carro e, em seguida, fechou a porta.
O sedan preto arrancou devagar, mesclando-se ao trânsito.
Deixando apenas Cecília parada ali, observando as luzes traseiras vermelhas desaparecerem ao longe, enquanto a cor se esvaía de seu rosto aos poucos.
Então, a pessoa que Samuel guardava na ponta do coração era Rebeca.
Renato Lage deu um tapinha nela. — Perder para Rebeca é normal.
Cecília murchou na mesma hora.
Embora ela quisesse retrucar, sabia muito bem que o pai estava dizendo a verdade.
Neste mundo, quantas pessoas podiam se comparar com Rebeca?
No interior do veículo, um jazz suave tocava, isolando o barulho e o tumulto da cidade do lado de fora.
Rebeca estava recostada no banco de couro do passageiro. O efeito do álcool foi subindo devagar, cobrindo seus olhos geralmente frios com uma leve névoa de embriaguez.
Ela virou a cabeça e seu olhar pareceu colado com supercola, encarando sem piscar o homem que dirigia.
A luz amarela e difusa dos postes de rua invadia pelo vidro do carro, iluminando o perfil de Samuel.
Ele estava realmente diferente naquela noite.
O colarinho da camisa, que normalmente ficava abotoado até o topo, estava levemente aberto, revelando a clavícula bem desenhada.

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