As lágrimas de Helena finalmente não se contiveram e caíram, ela apertou com força as mãos geladas da avó e engasgou, incapaz de falar.
Filipe também chegou a esta altura.
A velha senhora deu uns tapinhas nas costas de Helena: — Vá tomar o café da manhã.
Helena sabia que ela devia ter algo a dizer a Filipe e que não era conveniente ficar, então ela enxugou as lágrimas e saiu do quarto.
Os outros, junto com o advogado, também saíram do quarto.
A velha senhora tossiu por um tempo.
Filipe serviu água para ela.
Ela tomou dois goles, se recompôs um pouco e então falou lentamente: — Ouvi dizer que vocês enviaram o pedido de divórcio de novo?
Filipe confirmou com um "humm", e depois disse: — É apenas uma medida temporária, eu não vou me divorciar dela.
A avó afastou o copo de água na sua frente: — Meu tempo é curto, e não tenho outras exigências. Só espero que você possa cumprir a promessa e devolver a liberdade a Helena.
— Vovó...
— Me prometa! — A velha senhora não lhe deu a chance de argumentar, olhando para ele com olhos um tanto turvos, pedindo apenas uma resposta.
Mas Filipe demorou a ceder, abaixou a cabeça e se ajoelhou com uma perna na frente da cama da avó.
A avó segurou o peito com extrema dor e desespero: — Se você não a ama, qual é o sentido de mantê-la à força ao seu lado? Será que você pretende passar a vida inteira com ela sendo um casal de fachada?
Os longos dedos de Filipe apertavam com força a beirada da cama.
Depois de muito tempo, ele murmurou em voz baixa: — Então que sejamos um casal de fachada.
Pelo menos, Helena ainda seria sua esposa.
Pelo menos, ela ainda estaria na sua cama.
Houve um som de estrondo.
A velha senhora, furiosa, derrubou o copo de água.
O barulho dentro do quarto foi muito alto, e Bárbara, um pouco preocupada, bateu na porta: — Sr. Cruz, precisa chamar o médico?
A velha senhora recusou.

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