O ar pareceu congelar naquele instante.
O rosto de Filipe escureceu instantaneamente, o desejo em seus olhos desapareceu, substituído pela fúria de ter sido desmascarado e por uma frieza cortante.
O seu olhar fitava profundamente os de Helena, como se ele quisesse devorá-la por inteiro. Segurando com a máxima força possível no queixo da jovem, deixando vestígios dos seus dedos na pele esbelta de Helena.
— Desprovido de caráter? Forçado?
Ele riu de tanta raiva, com a voz fria como gelo.
— Helena, você está dizendo que o marido dormir com a esposa é forçado?
— Fui eu que te dei liberdade demais e te fiz esquecer que você ainda é a Sra. Cruz?
— E faz diferença? Só restam 24 dias de período de reflexão. — Sem sequer uma cedência, Helena mirava-o friamente, transmitindo um ar zombeteiro com o olhar.
— O que foi, as mulheres lá fora não conseguem te satisfazer, a ponto de você não deixar em paz nem mesmo alguém doente como eu?
Filipe de repente a soltou, olhando-a de cima para baixo com o peito subindo e descendo intensamente.
Finalmente espremeu uma frase por entre os dentes: — Eu nunca fui para a cama com ela.
Helena continuou com seu sorriso frio.
Não se importando nem um pouco com a explicação dele.
Se importar com o quê?
Um casamento que chegou a esse ponto já não pode ser consertado com uma ou duas frases de explicação.
Filipe encarou a expressão fria dela por um longo tempo.
Seu coração parecia ter sido agarrado com força por algo, sentindo-se sufocado.
Aquela pessoa que costumava ter olhos só para ele, que preparava um jantar farto e esperava por ele em casa para comemorar.
Agora, naqueles olhos claros e distintos, não havia nenhuma emoção.
Olhava para ele como se olhasse para um estranho.
Ela realmente não o queria mais.
Havia algo que ele não conseguia controlar, mas com o qual se importava, que foi arrancado de seu mundo sem aviso, deixando seu coração completamente vazio.

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