POV Max
Continuei irritado durante toda a viagem de volta à cidade e só porque Julieta estava malcriada hoje. Não era como esperava passar o dia, quando cheguei em casa e encontrei Liliane sentada na sala num mar de lágrimas e sua mãe a consolando. Quase revirei os olhos, quase.
— Finalmente você chega, Max — disse minha mãe com dramatismo incluído, o que só me deixava de pior humor.
— Sim — me sentei no sofá observando atentamente Liliane chorar.
Esta era a garota que conheci quando criança?
Devo admitir que faz uns oito anos que não a vejo, mudou muito. É bonita, mas todas essas lágrimas só estragam tudo.
— Deve falar com ela e deixar claro que você não tem nada com nenhuma mulher — ordena minha mãe— especialmente com aquela secretária decadente.
— Já expliquei o que aconteceu por telefone — respondi sem me alterar— nos deixe a sós, mãe.
Não estou acostumado a dar explicações a ninguém e não ia começar agora. Menti e disse que tinha me manchado de vinho e só queria tomar um banho antes de voltar e minha secretária ficou com meu celular, a última parte não era mentira.
— Mas a Lili é delicada e frágil — reclama sua mãe— não quero deixá-la sozinha... — fala sua mãe suavemente.
O olhar de minha mãe está agora sobre Liliane, ela continuava soluçando suavemente parecendo fraca e desprotegida, mas não provocou absolutamente nada em mim. A amei muito quando éramos crianças, ela salvou minha vida... mas agora há certa gratidão. Mas amor? Não creio.
— Não entendo por quê — falo devagar franzindo a testa confuso— já expliquei a situação, estava trocando meu terno e tomando banho, minha assistente atendeu. Qual é o problema?
Estava irritado, mas lembrando o que ela fez por mim quando éramos crianças, suavizou um pouco minha expressão.
— Você ama outra mulher e não vou me interpor — disse de forma lastimável— sei que cheguei do exterior para complicar sua vida.
— Claro que não está complicando a vida dele — se adianta minha mãe.
E é que Brigitte Hawks é assim, não conheço outra versão da minha mãe.
— Te expliquei o que aconteceu, novamente — disse sem me mover de onde estava sentado para tentar chegar até ela— mãe, disse para nos deixar sozinhos.
— Resolva isso, Maximiliano Hawks — reclama minha mãe— vou verificar o andamento do jantar, já deve estar quase pronto — murmura minha mãe e finalmente vai embora.
— Você a ama? — pergunta Lily suavemente na minha frente com cara lastimável.
Em que momento se levantou de sua cadeira sem que eu ouvisse?
— A quem? — perguntei me levantando para me servir de uma bebida e me fazer de desentendido e sobretudo criar distância.
— A mulher que atendeu, parecia com ciúmes — comenta Lili.
— Ela não é nada, só minha assistente e você minha noiva. Pare com essas histórias estranhas nessa sua cabeça — respondi de mau modo perdendo a paciência— não gosto de dar explicações dos meus assuntos e menos ainda sair de uma importante reunião para acalmar histerias de mulherzinhas chorosas.
Não gostava para onde isso ia.
É assim que pretendia se comportar o tempo todo durante o resto do casamento?
— O que quer dizer? — pergunta com voz trêmula.
— Preciso de uma esposa e tenho um compromisso com você há muitos anos — expliquei— do meu ponto de vista são dois coelhos com uma cajadada só, é simples assim.
— Dois coelhos com uma cajadada? — repete como um papagaio.
— Exatamente, no entanto minha vida não vai mudar só porque tenho uma esposa, sou um homem ocupado, viajo muito e nos veremos pouco — comentei como se nada fosse.
— Pensei... que poderia te acompanhar nessas viagens — disse num murmúrio quase inaudível.
— Já tenho a companhia que preciso, me seguem seguranças, minha assistente e executivos para onde quer que eu vá, vá trabalhar, abra uma organização sem fins lucrativos, divirta-se com suas amigas — aperto a ponte do nariz tentando não perder a fachada de calma— só quero isso.
— O que você quer? — pergunta devagar.
— Que me dê uma fachada, viverá como uma rainha, terá um cartão, meu sobrenome e viagens, mas nada mais — deixei muito clara minha posição— enquanto me der a fachada de esposa perfeita, pelo menos num período de dois anos.
Sei que posso convencer Julieta a ficar ao meu lado mais tempo, não pode ir embora do meu lado. Me recuso a deixar a melhor assistente que já tive só por este casamento.
O que me lembra que seu contrato está para vencer, talvez deva fazer com que assine um mais longo... de dez anos talvez.
— Podemos tentar, Max — levanta o olhar e conecta seus olhos azuis claros com os meus— não me ama agora, mas com o tempo...
— Não preciso dessas bobagens na minha vida, meu advogado está preparando um acordo pré-nupcial e ali vem estipulado tudo o que estou te dizendo agora — me levanto tomando o que resta da minha bebida decidindo que não quero me embebedar na casa dos meus pais— se quiser acrescentar algo mais podemos discutir em alguns dias.

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