O frio dos Alpes se desvanecia no calor do reencontro. Cada um se refugiava em sua cabana, mas o destino—ou talvez a cumplicidade—os havia reunido para compartilhar mais que uma paisagem nevada. Tomás, sempre aquele que conectava as pessoas, havia trazido Maxime, a filha de Max e Julieta, para que a família se abraçasse novamente sem o peso de velhas batalhas. Os inimigos, já castigados por sua própria mão ou pela lei, haviam se dissipado, deixando apenas a liberdade e a alegria de um futuro sem sombras.
Reunidos no saguão de uma das cabanas, o ambiente era festivo e cúmplice. Entre risadas e olhares cúmplices, Tomás, com aquela malícia que o caracterizava, disparou:
—Bom, agora vocês são um casal ou não —aponta para o par que tem à sua frente.
Max não hesitou em responder sem rodeios:
—Somos —assentiu com a alegria transbordando dele.
Julieta, ao ouvir a afirmação, sentiu como o calor se espalhou por suas bochechas, tingindo-as de um vermelho vivo. Com um sorriso tímido, confessou:
—Ontem eu disse sim para ele... —disse tímida e feliz.
Enquanto levantava sua mão, deixou entrever o pedregulho engastado em seu dedo, testemunha silente daquela promessa de amor.
Tomás soltou uma gargalhada e, apontando para a pedra, exclamou:
—Mas, querida! Vai cair esse dedo com essa pedra tão grande —brinca.
A risada se espalhou pela sala, quando Fabricio fez sua entrada, deixando cair seu pesado casaco e as malas de Tomás e dele na soleira para combater o frio alpino. Com tom zombeteiro e um sorriso cúmplice, se juntou à festa:
—Fora de jogo! Fico feliz que estejam juntos. Aconteceram coisas demais para afastar cem casais, mas vocês se uniram ainda mais —disse com um pequeno sorriso.
Entre brincadeiras e risadas, Tomás acrescentou com seu habitual desembaraço:
—Não me lembre disso... Esse cara me irritava, mas quando Julieta vomitou nos pés dele, me senti um pouco melhor —apontou para Max e logo se lembrou de quando Julieta vomitou nos sapatos caros dele fora da boate e não pôde deixar de rir abraçando mais forte seu amor.
A sala se encheu de gargalhadas e anedotas que aliviavam o passado, enquanto lá fora a imensidão das montanhas servia de pano de fundo para um novo começo. Cada um, em sua cabana ou reunido no grande salão, encontrou nessa viagem não apenas o respiro da natureza, mas a confirmação de que, apesar das cicatrizes e das batalhas, o amor e a família sempre prevalecem.
O dia passou entre a neve e a risada. Os Alpes foram testemunhas de um dia de brincadeiras: construíram um boneco de neve e deslizaram pelas pistas esquiando, deixando para trás velhas mágoas. Isabel ficou na cabana cuidando de Maxime, com a ajuda de Terrence, enquanto lá fora o frio se misturava com o calor do reencontro familiar.
Num canto da sala, Max se aproximou de sua pequena, acariciando-a e jogando-a para o alto; suas risadas infantis se uniam ao eco da montanha. Foi nesse instante que Isabel, com tom suave e algo hesitante, se atreveu a perguntar:
—Posso te fazer uma pergunta?
Max, o homem de ferro que sempre parecia inacessível, agora estava mais próximo, e com um leve sorriso respondeu:

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