Dimitri estava desesperado. Não tinha lugar onde ficar, nem dinheiro, nem aliados. O velho Fernando, sua última esperança, o havia abandonado sem cerimônia.
Primeiro, vendeu a mansão para pagar sua própria dívida. Depois, ao saber que sua filha Liliane estava no hospital, liquidou o que lhe restava e desapareceu sem deixar rastro. Dimitri ficou sozinho, sem apoio e com a sombra do Pakhan cada vez mais próxima.
Ignati estava o caçando.
Ou pelo menos era isso que Dimitri sentia. Não havia movimentos diretos contra ele, nenhuma ameaça clara. Apenas um jogo macabro onde ele era o rato e o leão só esperava o momento certo para devorá-lo.
Apertou os dentes e puxou o boné sobre o rosto, tentando esconder sua identidade enquanto caminhava entre a multidão. Não podia se arriscar a ser reconhecido.
O problema era que o tempo jogava contra ele.
***
Enquanto isso, num mundo completamente diferente, Julieta estava sobrecarregada de trabalho. As reuniões, as ligações, a interminável pilha de documentos que precisavam de sua aprovação... Mal tinha um momento para respirar.
E Maximiliano, por sua vez, se dedicava a perturbá-la.
—Acho que gosto de ser um mantido pela minha futura esposa —declarou com descaramento, deitado no sofá de seu escritório com uma xícara de café na mão.
Julieta mal lhe lançou um olhar antes de voltar aos seus papéis.
—Sério, você não tem nada melhor para fazer? —questionou ela um pouco irritada.
Max deu de ombros, com aquele sorriso despreocupado que só ele conseguia exibir.
—Claro que sim, mas prefiro te ver trabalhar. Me dá certa satisfação —disse brincalhão.
Ela suspirou com cansaço e jogou uma caneta nele, que ele desviou com facilidade.
—Pelo menos finja que é útil! —reclamou, revirando os olhos.
Maximiliano riu baixinho e se acomodou melhor no sofá.
—Querida, que apoio melhor que o emocional? —disse em tom de brincadeira.
Julieta negou com a cabeça, reprimindo um sorriso.
A tensão com Dimitri e os inimigos que ainda restavam para enfrentar pesava sobre eles, mas em momentos como este, pelo menos podia esquecer por um instante o perigo que os cercava.
Isabel bateu na porta do escritório de sua chefe e esperou até receber permissão para entrar. Ao cruzar a soleira, seus olhos pousaram em Julieta, que estava sentada atrás de sua mesa, concentrada em alguns documentos. Mas o que realmente capturou sua atenção foi a cena diante dela: Maximiliano Hawks, o homem mais imponente que conhecia, estava confortavelmente recostado numa das cadeiras, girando despreocupadamente um cubo mágico entre as mãos.
Isabel piscou, sem conseguir evitar pensar que a imagem era quase irreal. Esse era o mesmo homem temido por muitos? O mesmo que podia fazer um empresário tremer com um só olhar? E agora estava ali, brincando como uma criança entediada no escritório de sua noiva.

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