O casamento havia chegado o quanto antes, Maximiliano queria que Julieta levasse seu sobrenome, que sua filha fizesse parte de sua família de forma oficial. O salão estava radiante. A luz dos lustres de cristal refletia o brilho das taças, dos talheres de prata e dos olhares cúmplices que se cruzavam entre os convidados. A música flutuava no ar, leve e elegante, envolvendo Maximiliano e Julieta em seu próprio mundo enquanto dançavam no centro da pista.
Ela usava um vestido que parecia feito de estrelas. Cada movimento fazia com que o tecido brilhasse como se guardasse um pedaço do céu noturno em seu interior. Ele, com seu terno preto perfeitamente ajustado, tinha o porte de um rei, mas naquele momento era apenas um homem apaixonado, completamente entregue à mulher que tinha em seus braços.
—Não posso acreditar que você já é minha esposa —murmurou Maximiliano, aproximando-se perigosamente de seu ouvido.
—Nem eu que você tenha sobrevivido ao casamento sem matar ninguém —respondeu ela com um sorriso travesso.
Ele soltou uma gargalhada profunda, daquelas que só Julieta conseguia arrancar dele. E justo nesse momento, alguém na multidão gritou:
—BEIJO!
Os convidados corearam o pedido com entusiasmo. Julieta ergueu uma sobrancelha, mas Maximiliano não perdeu tempo. Segurou seu rosto com uma mão firme e a beijou, sem pressa, com aquela intensidade que fazia o mundo inteiro desaparecer.
Houve mais aplausos, mais risadas, mais brindes.
Dançaram sem descanso, beberam, comeram e foram o centro das atenções a noite toda. A felicidade se sentia em cada canto do salão, como se fosse algo palpável, algo que se podia tocar.
Julieta estava rindo quando viu seu pai se aproximar com passos cautelosos. Mark tinha as mãos entrelaçadas e o rosto nervoso. O casamento era uma das poucas oportunidades que teria para falar com sua filha sem que Maximiliano o olhasse como se estivesse avaliando quantas maneiras tinha de fazê-lo desaparecer.
Maximiliano percebeu e sua expressão se tornou indecifrável. Mas em vez de se afastar ou mostrar frieza, ficou ali, com Julieta ainda em seu abraço, observando Mark com uma calma inesperada.
—Vou... vou tentar resolver tudo entre nós —disse Mark finalmente. Sua voz soava trêmula, como se lhe custasse trabalho admiti-lo.
Maximiliano o olhou em silêncio por um momento. Então, com a mesma naturalidade com que havia pedido outra taça de vinho minutos antes, perguntou:
—Você é feliz? —questiona Max.
Mark piscou, surpreso com a pergunta.
Naquela noite em que se levantou para ir ao banheiro do hospital e viu seu pai beijando um homem se sentiu tão confuso e incomodado porque ele traía sua mãe, quando cresceu entendeu o que havia acontecido tantos anos atrás e só o ressentimento lhe enchia o coração ao pensar em seu pai escondendo seu verdadeiro gosto.
—Sim —respondeu, mas desta vez com total sinceridade.
Maximiliano deu de ombros com indiferença.
—Então está bem. A única coisa que não gostava era que você escondesse o que te fazia feliz.
Mark assentiu, sem saber bem o que mais dizer. Havia esperado rejeição, ressentimento... mas não aquela tranquilidade com que Maximiliano o deixava ir.
Julieta o observou partir com uma mistura de emoções nos olhos. Não foi um abraço, nem palavras doces de reconciliação, mas foi um início.
E para ela, isso era suficiente.
Maximiliano acariciou sua bochecha, chamando sua atenção novamente.
—Vem, minha esposa. Não terminamos de dançar.
Julieta sorriu, deixando-se arrastar de volta à pista, em direção à felicidade que havia encontrado nos braços desse homem que a amava sem reservas.
O hotel onde passariam a primeira noite como esposos era exclusivo, com janelas do chão ao teto que ofereciam uma vista panorâmica da cidade iluminada. A suíte estava decorada com pétalas de rosa e uma tênue luz dourada que fazia tudo parecer saído de um sonho.
Julieta entrou primeiro, ainda com o vestido. Estava nervosa, embora não admitisse. Maximiliano fechou a porta com calma, sem pressa, como se soubesse exatamente o que passava por sua cabeça.

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