— Você se diverte — recrimina ela com desdém— te disse que queria me casar, ter filhos. Você me disse que sim, que te desse tempo e eu dei; te dei 3 anos do meu tempo. Agora vai se casar, mas não comigo, Maximiliano Hawks, e tudo bem — deu de ombros. Por isso vou embora.
Ele a olha surpreso, nunca tinha dito seu nome completo dessa maneira tão dura e desprovida de emoções.
— Não sou o único que se diverte aqui, agora não venha me dizer que abuso de você. Você estava muito de acordo com esse trato quando o propus — repreende Maximiliano irritado.
— Sim, com a condição de que nosso relacionamento fosse público em algum momento — discute ela sem ficar calada desta vez— prefere outra para ser sua esposa, então é hora de ir embora.
"Nunca mais baixaria a cabeça para ele" pensa ela.
— Bem, os planos mudaram. Deve esperar um pouco mais, em alguns anos me divorciarei dela — fala como se ela fosse uma criança de cinco anos e ele o pai que a repreende— Liliane voltou... e não contava com isso — Max se negava a dizer a verdade de por que se casava.
Maximiliano estava fora de equilíbrio, não era muito próprio dele ter que explicar seus planos ou sua vida a ninguém, menos ainda a ela. Ela não pergunta nada, ela sempre se conformou com o que ele podia lhe dar.
"Por que as coisas devem mudar?" pensa Max desconcertado.
— Eu sempre estive aqui, atrás de você como um fantasma. Não mais — disse Julieta se levantando.
Ela podia sentir sua essência descendo por sua coxa interna enquanto dizia essas coisas.
— As coisas não têm por que mudar — diz Max massageando sua testa sentindo uma dor de cabeça se formando a passos gigantescos— sabe que não gosto de mudar minhas rotinas, você não pode ir embora.
Maximiliano era um obsessivo por controle e odiava sair de sua agenda ou rotina porque isso o desestabilizava e ele pede para não mudar nada em seu contrato para que ele não saia de sua rotina sem se importar com os sentimentos dela e isso só faz com que Julieta se sinta mais irritada.
— Não me interessa! — levanta-se irritada e vai para o quarto direto para sua roupa.
Começa a se vestir com movimentos bruscos, Max fica congelado na varanda vendo como ela coloca sua roupa.
— Aonde você vai? — pergunta saindo de seu estupor e voltando ao quarto.
— Longe de você! — cospe com raiva suas palavras.
Julieta teria preferido não vir, teria ido com Tom ao seu ateliê e de lá para se divertir com ele. Com seu melhor amigo nunca se entediava e as risadas não faltavam.
— Não seja ridícula, eu te trouxe aqui — lembra ele— Como pensa em voltar?
— Graças ao meu chefe tenho um bom trabalho, dinheiro no cartão e dinheiro vivo na carteira para pagar — zomba ela, o que deixa ainda mais surpreso.
Tinha mais que isso em outras contas, mas não diria a ele. Foi um erro esperar que a amassem pelo que é e não por seu dinheiro, esperar que ele a lembrasse e que o amor chegasse.
— Julieta, pare com as criancices — repreende Max— pode ficar, todo o fim de semana está pago.
— Não vou ficar aqui sozinha, Maximiliano Hawks — diz, olhando-o ofendida pelo que dizia.
— Então vamos — disse de mau humor soltando sua toalha para se vestir.
Ela tinha visto seu corpo umas mil vezes e sempre ficou como boba olhando, mas desta vez estava tão irritada que não ficou hipnotizada como essas outras vezes.
— Não! Obrigada pela oferta, presidente Hawks — disse ela com uma negativa definitiva, colocando sua bolsa no ombro e deixando Max meio vestido e xingando.
Saiu dali como um vendaval e subiu no elevador sem olhar para trás.
Ela não queria chorar, mas de vez em quando escapava uma ou outra lágrima, muitas pessoas subiam e a olhavam com desdém ou preocupação, assim que chegou ao saguão pediu à recepcionista que lhe dissesse onde ficava a estação de ônibus ou um táxi que a levasse de volta a Nova York.
A noite já ia cair então devia se apressar e se não coincidisse com Maximiliano muito melhor.
Assim que o elevador se abre sai Max com seu terno perfeitamente arrumado, examina toda a recepção em busca da malcriada de sua assistente, é por culpa dela que seu fim de semana se arruinou, se não tivesse atendido aquela ligação... Agora deve chegar à cidade.
Deixa escapar o ar frustrado de seus pulmões quando não a vê em lugar nenhum, se aproxima da recepcionista e com um olhar sedutor fala com ela.
— Saiu há uns minutos num táxi. Acho que disse que ia para Nova York — respondeu o porteiro.
— Muito obrigado — replicou Max, dando uma gorjeta bastante generosa.
— À disposição — respondeu o porteiro, sorrindo.
Enquanto isso, Julieta, ao chegar à cidade, queria tirar Max da cabeça, então combinou com Tomás de se encontrarem numa boate. Assim que pisou em seu apartamento, tirou a roupa e tomou um banho, tentando tirar o cheiro de Max de si. Não queria ter nada a ver com ele pelo resto do fim de semana.
Colocou um dos vestidos que Tomás tinha deixado em casa. Era verde garrafa, com um decote em V e bastante curto, chegando à metade da coxa. Não estava acostumada a usar esse tipo de vestido tão justo e ousado, mas ao se olhar no espelho, gostou do que viu. Se sentiu bonita.
Se maquiou um pouco, sem exagerar, mas optou por um batom vermelho bastante chamativo, que contrastava com sua pele branca e seu cabelo negro, fazendo destacar ainda mais seus lábios.
Seu melhor amigo ligou para ver onde iam se encontrar quando ela se admirava no espelho e se sentia diferente.
— Querida, onde nos encontramos? — perguntou Tomás, pensando que talvez devesse ir buscá-la.
— Já estou pronta, já pedi um Uber — respondeu ela, terminando de se ver no espelho mais uma vez.
Graças à sua herança genética, muitas pessoas pensavam que ela era só uma garota tonta, mas não era assim. Era bastante inteligente. Em sua pouca idade, tinha terminado a universidade dois anos antes da média. Supunha que isso era o que tinha atraído Maximiliano, além de seus olhos verdes, seu cabelo escuro e seu corpo voluptuoso, que muitos classificavam como de modelo.
— Pronto, querida. Aqui te espero. Só precisa dizer seu nome ao porteiro. Estamos na área VIP — disse Tomás.
— Estamos? — perguntou ela, um tanto nervosa. Pensava que isso era só para eles dois.
— Sim, estamos, no plural. É só um sócio da minha casa de moda. Não se preocupe com nada, na verdade não incomoda. É mais um ranzinza, silencioso e gosta de dormir cedo. Já sabe como é a velhice, querida — brincou Tomás.
Julieta riu baixinho, divertida pelo que ele dizia. Depois ouviu um aviso em seu celular e, ao ver, percebeu que o Uber já tinha chegado.
— Bem, vou indo, querido. O Uber chegou. Nos vemos daqui a pouco — disse, ainda rindo das brincadeiras de seu amigo louco.

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