Dimitri sabia que sua sorte estava selada. Desde o momento em que perdeu o apoio do velho Fernando e sua filha ficou fora de combate, se converteu num alvo fácil. Seus aliados o abandonaram, os contatos que antes lhe prometiam proteção agora nem sequer atendiam seu telefone.
Naquela noite, com o boné bem puxado sobre a cabeça, caminhava rapidamente por uma rua secundária da cidade. Tinha um plano: cruzar a fronteira com um passaporte falso e desaparecer. Talvez América do Sul, talvez Ásia. Não importava onde, a única coisa que importava era sair vivo.
Mas antes de chegar ao ponto de encontro com o falsificador de documentos, seu instinto gritou que algo estava errado.
Silêncio demais.
Vazio demais.
Deu um passo para trás, pronto para correr, quando sentiu o cano frio de uma pistola na base do crânio.
—Não torne isso mais difícil, Dimitri —disse a voz de Marcelo, seca e perigosa.
Dimitri engoliu seco. Maximiliano apareceu das sombras, com uma calma cruel em seus olhos escuros.
—Onde ia com tanta pressa? —perguntou Max, com um sorriso quase divertido.
—Maximiliano, isso é um erro... podemos conversar... —Dimitri tentou negociar, mas Marcelo lhe deu um golpe seco nas costelas, deixando-o sem ar.
—Não me faça perder tempo —rosnou Max, enquanto o observava se contorcer no chão—. Tenho um presente especial para você.
Maximiliano não ia permitir que as coisas saíssem de controle. Com muitos inimigos às suas costas, sabia que os mais perigosos eram justamente esses dois homens diante dele. Seu olhar frio pousou em Fernando e Dimitri, que, juntos, lhe lembravam um vínculo que quase o fazia perder o norte.
Por pouco Fernando Williams quase escapou, mas Marcelo já havia descoberto seu paradeiro e aqui estava sob a sola de suas botas.
—Quase me perco o parentesco de vocês dois —disse com voz cheia de desdém, observando como a semelhança entre ambos era inegável.
Fernando não tardou em replicar, cuspindo suas palavras com desprezo:
—Não tenho nada a ver com ele —tentou negar que eram família, o que causou muitas risadas ao redor.
Mas Max não se deixou enganar. Com um tom zombeteiro, soltou um sutil "tsk, tsk" e prosseguiu:
—Não minta. Sei que ele é seu sobrinho e por isso o escondia em sua casa. Minha mulher é simplesmente brilhante e descobriu tudo. É boa seguindo pistas —disse com um toque de orgulho na voz.
Nesse momento preciso, Max conectou sua fúria com ação: um chute certeiro se dirigiu a Dimitri, a quem acusava sem piedade de ter sequestrado sua mulher grávida. A palavra "desgraçado" ecoou no ambiente, enquanto a expressão de Max se endureceu, se convertendo numa máscara fria e imperturbável, apesar do sangue e da dor que se refletiam em seus olhos.
Dimitri, envolvido num halo de maldade e temor, tentou se justificar com voz trêmula:
—A tratei bem nesses dias, nunca a toquei —tentou fugir novamente, mas não conseguiu.
Não só estavam Marcelo e Max, mas também uns dez homens os cercando.
As palavras mal flutuaram no ar, enquanto o ambiente se carregava de uma tensão quase insuportável. Naquele momento, ficava evidente que cair nas garras de Maximiliano Hawks, ou pior ainda, nas do Pakhan, era um destino mais terrível que qualquer outro.
—Vamos... seu líder te espera —ordenou Max, ignorando as súplicas e olhares suplicantes de ambos os homens, deixando claro que a lealdade e a honra se impunham sobre qualquer desculpa.

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