— Quem diria... Brigitte Hawks dizendo palavrões, em primeiro lugar. Não é da sua conta o que Julieta e eu fazemos a portas fechadas — zombou Maximiliano —. Pelo visto a alta sociedade ainda não chegou ao seu cérebro por falta de cafeína.
— Não precisa ser grosseiro — reclama Brigitte olhando-o quase com ódio.
— Terminou o café, mãe? Talvez assim você esclareça a mente. Deveria ir se arrumar para estar decente se vai continuar soltando blasfêmias a torto e a direito — disse mais sério.
— Não entendo por que agora você me desrespeita e fala comigo assim — disse sua mãe, choramingando, com lágrimas falsas nadando em seus olhos.
Incomodava-a que Maximiliano fosse mais como seu sogro, alguém que não era manipulável, enquanto seu marido era mais dócil e gostava de seguir a corrente.
— Falo com você como você fala comigo. É simples assim, mãe. E vou me desculpar no dia em que você se desculpar com Julieta Persson — deixa claro seu filho.
— Quando os dragões saírem voando desta casa, nesse dia me desculparei — disse ela com soberba.
— Não me interessa. Faça o que quiser. Só lembre-se que sua atitude tem consequências. Depois não diga que não avisei — disse Maximiliano.
A tensão na cozinha era palpável, Carmina cozinhava rápido para que seu menino levasse algo no estômago enquanto Brigitte queria lançar raios laser em seu filho. Brigitte, cansada, foi para seu quarto, onde seu marido terminava de se arrumar enquanto ela entrava no banho e fechava a porta com uma batida.
"Mereço ir às compras depois de começar o dia dessa maneira", pensa Brigitte, entrando no chuveiro, sabendo que podia gastar o dinheiro que seu marido lhe dá.
Há anos quase não acredita em Mark, mas ele conseguiu dar-lhe a vida que quer, principalmente porque o velho cumpriu sua ameaça de dar tudo aos filhos de Mark, é uma pena que Michelle fosse menina e o velho seja meio machista, além disso, aquela tonta nunca quis estudar e é por isso que só tem um fundo fiduciário.
"Que mosquito o picou?" pensou Marc, olhando para o banheiro e depois continuou com seus afazeres, tinha um compromisso importante ao qual não queria faltar.
— Menino, você não deveria fazer sua mãe ficar com raiva dessa maneira. Ela continua sendo sua mãe, afinal de contas — aconselhou sua nana Carmina, com a confiança que os anos lhe deram — sei que ela errou, ouvi os gritos naquele dia, mas continua sendo sua mãe.
— O que ela fez também está errado, nana. Tratar minha assistente assim como se não fosse nada... Eu sabia que ela dizia coisas, mas não até que ponto chegavam os maus-tratos da minha mãe e também os de Michelle com ela — suspirou frustrado Maximiliano, deixando seu café no balcão, desconfortável.
— Se realmente se importa com essa moça, demonstre isso, peça desculpas de coração, Maxi — disse a nana, sempre boa conselheira, embora esse tema em particular fosse delicado para Maximiliano, ele não gostava de pensar em amar alguém.
"O que Julieta quer eu não posso dar a ela", pensa Max com certo pesar, mas com resignação.
— É apenas questão de princípios, e minha mãe deve ser o exemplo de que com meus funcionários ninguém se mete. Caso contrário, qualquer um pode pensar que pode atacar meus funcionários, minha empresa e, portanto, a mim — justificou Maximiliano.
— Vocês homens são uma coisa séria — suspirou a nana, decepcionada.
Sabia que Max se importava com aquela moça. Senão, não teria durado três anos com ela, aquela anciã não podia ser enganada. Mas isso era algo que ele tinha que descobrir.
— Daqui a pouco preciso ir. Preciso de uma nova assistente; a minha está de férias — só pensar nisso azedava mais seu humor.
— Aqui está seu café da manhã. Coma e depois vá. Não pode andar por aí com o estômago vazio. Você já foi...? — Antes que a nana pudesse continuar falando, Maximiliano a interrompeu.
— Não quero falar sobre isso, mas sim, já fui. Já a visitei — respondeu, para que ficasse tranquila.
— Senhor Maximiliano Hawks, precisamos levar a senhora. Espero que não torne nosso trabalho mais difícil — falou o policial responsável, vendo que sua colega agora fazia olhares para o filho da mulher que devem prender.
Quase revira os olhos, mas o policial Leblanc é muito profissional.
— Não tornarei nada difícil — respondeu Maximiliano, pacificamente —. Levem-na. Nos vemos na delegacia.
— Que diabos acontece com você? — disse Marc, enfurecido —. Você não pode deixar que levem sua mãe!
— E por que não? — falou finalmente Anthony Hawks, saindo para ver qual era todo o alvoroço — eu te disse, Mark, Julieta pode fazer o que quiser, está no direito dela.
— Vocês estão loucos?! — pergunta Mark, olhando para ambos como se fossem extraterrestres — isso simplesmente arruinará Hawks Holding, isso pode levar a empresa à falência.
— Duvido, sou bom no meu trabalho, haverá um escândalo. Isso sim — responde Maximiliano concentrado — recomendo que contrate alguém para controlar todas as notícias — aconselha Max a seu pai.
Quando Max era criança, se dava bem com seu pai. Era seu herói, mas aconteceram coisas que os afastaram e Mark não recuperou essa relação com seu filho, de certa forma sente inveja de seu pai, Anthony; ao ver como ele se relaciona com seu próprio filho e ver que ele não consegue se relacionar assim.
— Deixe seu filho, Mark. Melhor irmos à delegacia — ordena Anthony querendo ver como está Julieta — isso vai ficar bom — ri como uma criança, enquanto sobe em uma das caminhonetes da família e Max vai em seu carro deixando Mark parado vendo como neto e avô saem da propriedade.
"Tenho que fazer Julieta entrar em razão e retirar a queixa antes que a imprensa saiba", pensa Mark subindo em seu carro e cancelando os compromissos daquele dia.

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