Horas antes
Maximiliano não conseguia dormir, então foi correr para ver se clareava sua mente e mesmo assim nada fez com que isso acontecesse. Chegou em casa, tomou um banho rápido e se vestiu, havia coisas que precisava fazer.
Maximiliano estacionou em frente a uma delegacia de polícia, nunca tinha visitado uma e agora estava prestes a fazer algo que não teria volta.
— Viu quem é? — pergunta uma policial novata.
— Cala a boca, você pode nos meter em problemas — responde sua colega.
— É lindo demais — suspira meio apaixonada — O que será que ele veio fazer aqui?
Maximiliano as ignorou e terminou de entrar na delegacia onde pediu para falar com Lachenal, o capitão daquela delegacia.
Esperou alguns minutos até que o chefe entrou um pouco desarrumado e claramente tinha sido acordado. Nada disso importava para Maximiliano.
— Em que posso ajudá-lo? — pergunta Lachenal um pouco nervoso quando estavam longe de olhares indiscretos — espero que esteja tudo bem.
Max ignora o fato de que o homem está tentando puxar o saco e vai direto ao ponto.
— Uma das minhas funcionárias ficou presa no elevador, o problema é que foi premeditado. Ficou aproximadamente doze horas trancada — começa dizendo Max diretamente — considero que isso é mais que uma brincadeira e gostaria que se fizesse justiça.
— Muito bem — o homem respirou um pouco mais aliviado — me diga os nomes dos envolvidos e se tem evidências do que está dizendo, isso tornaria meu trabalho mais fácil.
— Não quero facilitar sua vida, Gaudel Lachenal — a voz de Maximiliano saiu como um chicote.
— Sinto muito... não quis que parecesse dessa forma — ri nervosamente — o que quero dizer é que se a vítima quiser passar pela delegacia para assinar um documento confirmando tudo isso que me diz e que o caso seja mais fácil para a vítima.
— Ela é Julieta Persson, minha assistente, e a pessoa que ordenou deixá-la trancada é Brigitte Hawks, e outra das minhas funcionárias executou o pedido — conta Max muito sério.
Lachenal o olhava atônito, "Isso é sério mesmo?"
Maximiliano só pensava em como fazer Isabel pagar e por isso reservou seu nome apenas para si.
— Senhor Hawks, isso é... peculiar — fala Lachenal.
"Para dizer o mínimo", pensa o chefe da delegacia.
O chefe Lachenal estava preocupado em se meter no meio de uma disputa familiar dessa magnitude... seria suicídio se meter com a família Hawks. Por outro lado, o próprio herdeiro dos Hawks tinha vindo.
Talvez pensem que alguém deveria avisá-la, mas certamente não seria ele quem abriria a boca.
— Menino! Que bom que veio — disse Carmina, sua babá de toda a vida, sempre mimando-o — Quer tomar café da manhã? Posso fazer seu café da manhã favorito.
— Tudo bem, nana — respondeu Max suavemente, sentando-se à mesa do café da manhã, enquanto sua mãe bufava.
Brigitte não gostava de como Maximiliano se dava com Carmina. Ela só o tinha ajudado a criar, mas no final das contas, sua mãe era ela. Por que ele era mais condescendente com a babá do que com ela, que o tinha parido?
— Sua mãe está aqui — disse Brigitte morrendo de ciúmes, como se não fosse óbvio.
— Eu sei, mãe — respondeu Maximiliano tranquilamente — estou vendo você.
— Então, você realmente não pensa em se desculpar comigo? — reclama novamente sua mãe, minutos depois de ver que Max não pretendia se desculpar. Nem parecia ter remorso algum.
— E você pensa em se desculpar com Julieta? — retrucou Maximiliano, depois de pensar um momento.
— Não penso em me desculpar com essa aí. O que há com você? Por acaso essa mulher sugou seu cérebro pelo pau? — respondeu sua mãe, furiosa — não pense que não sei como ela durou tantos anos ao seu lado, claro, se abrindo de pernas a cada oportunidade que tem.

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