Julieta gritou por horas, queria chamar alguém para resgatá-la, mas não havia sinal suficiente para que sua mensagem ou ligação saísse.
Havia chorado e gritado tantas vezes que sua cabeça começou a latejar e sua garganta parecia arenosa. Colocou música no celular, mas já fazia mais de uma hora que a bateria havia acabado. Sentia-se desesperada. A ferida no braço doía horrores. Só queria um banho quente e dormir.
— Me tirem daqui, por favor — sussurra para o nada enquanto enterra a cabeça entre as pernas e as lágrimas não a abandonam.
Maximiliano não conseguia dormir. Foi para a academia às duas da manhã e socou o saco de boxe, usou a esteira e levantou pesos. Ainda assim se sentia inquieto. Decidiu aproveitar essa energia e ir ao escritório.
Eram apenas quatro da manhã. Mas ele sempre tinha muito trabalho que se acumulava quando saía cedo, então não foi nada estranho para ele ir sozinho ao escritório. Depois chamaria seus seguranças e motorista. Quando chegou ao prédio, tudo estava como sempre. O segurança de plantão o cumprimentou se levantando nervoso.
— Bom dia, senhor Hawks — riu nervosamente.
— O que está te deixando assim? — pergunta Max desconfiado. O suor do homem cobria sua testa, o que deixou Max em alerta.
Teriam sido roubados?
— É que... ontem sua mãe — o homem parecia visivelmente nervoso— nos ordenou algo.
Não gostei nada do rumo da conversa.
— O que ela fez? — perguntou, apertando os punhos.
— Bem... não sei direito, mas nos proibiu de ligar o elevador — fala o homem olhando para todos os lados— Ouvi ruídos estranhos... acha que é um fantasma?
— Você é idiota?! — gritou exasperado— Ligue isso agora!
"Minha mãe vai me fazer preso um dia desses. Quem diabos ela trancou?"
A lembrança de uns olhos verdes passou por sua mente, mas descartou. Ela teria ligado, não é?
Assim que o elevador funcionou, ele já tinha Marcelo ao seu lado, esperando ver o quão grave era a situação para poder resolvê-la imediatamente. Max não esperava encontrar Julieta desmaiada no chão. Ficou congelado por pelo menos dois segundos antes de agir. O lugar trancado cheirava terrível, uma mistura de suor e urina preenchia o espaço.
— Busque o carro! — grita Max enquanto a pega nos braços.
— Max? — sussurra Julieta antes de cair na inconsciência.
Depois que o médico foi embora, dedicou-se a tirar o vestido sujo e sua roupa íntima. Carregou-a e a levou à banheira. Quando ficou convencido de que ela não escorregaria ou se afogaria, chamou dona Ulloa para trocar a cama e jogar fora aquela roupa. Ela se apressou a fazer tudo enquanto Max voltava para cuidar dela.
— Nenê — chamou, mas ela apenas murmurava incoerências e ele desistiu— Não sabia que estava trancada — sussurrou vendo os escuros círculos sob seus olhos.
Depois de banhá-la, tirá-la da banheira e secá-la, a deitou em uma cama recém-trocada e limpa. Foi tirar suas roupas molhadas e deixá-las no chão. Alguém mais limparia depois. Queria deitar-se com ela depois de vesti-la com uma de suas camisas. Nunca havia trazido Julieta para seu espaço pessoal e se sentia estranho tê-la entre seus lençóis.
Uma vez vestido com um moletom, voltou à cama e ficou olhando-a por um longo tempo.
Uma suave batida na porta coloca Marcelo em seu espaço em pouco tempo. Max senta-se na cama com o torso nu, e seu chefe de segurança não se altera com isso.
— O que descobriu? — pergunta Max ansioso.
— Sua mãe chegou ontem causando um grande alvoroço e demitiu Julieta. Ela se negou a aceitar a demissão, então parece que a senhora Brigitte se sentiu ofendida e desafiada. Ela a castigou, deixando-a trancada, proibindo que alguém a retirasse — Marcelo parecia um robô, recitando o que descobriu minutos antes.
— Trabalharei em casa hoje. Que alguém cancele minhas consultas e reuniões — disse Max suspirando— Compre uma sopa de frango e coloque o soro que deve chegar em poucos minutos, caso ela acorde.

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