Maximiliano passou toda a manhã trabalhando do seu lado da cama, com Julieta profundamente adormecida. De repente, ela se agitava nos sonhos e ele a acalmava. Deu-lhe soro a cada hora sem falta e esperou que acordasse.
Por sua vez, Julieta se sentia confortável, sonhando que estava em sua cama descansando... Também tinha sonhos mais malucos, como arrastar Brigitte Hawks por toda a empresa, o que lhe trazia grande satisfação. Apesar de não querer, sonhou com Maximiliano, e era uma versão dele que jamais havia visto. Só por isso soube que era um sonho.
— Max — sussurrou entre dormida e acordada, deixando Max ver sua bunda meio coberta.
— Estou aqui, nenê, descanse — responde Max. Sua voz rouca e profunda a fez abrir os olhos de par em par.
— O quê...? — tenta perguntar, antes de poder dizer mais, sua mente registra que não está em sua casa— Onde estou?
Olha a decoração elegante e escura, as paredes cinza-chumbo e as cortinas pretas nas janelas. Um indício enorme de que não é sua casa.
— Na minha casa — contesta pacificamente Maximiliano, sem poder ver seu rosto.
— Por que estou na sua casa, Maximiliano? — indaga ela confusa e até irritada ao recordar tudo que passou ontem.
Julieta tenta se levantar, mas uma tontura a pega desprevenida e a faz voltar à cama. Respira fundo tentando que o mal-estar passe e poder focar bem a vista.
Ontem foi um dia de pesadelo, mas não sabe o que mudou e por que diabos está na casa de Maximiliano Hawks. Era culpa dele que estivesse nessa confusão. Sua mãe sempre a atacou por achá-la inferior. Se soubesse a verdade, se arrastaria por ela como a puxa-saco que é.
— Te trouxe quando te encontrei no elevador de madrugada — responde sem olhá-la.
Ele não quer que ela se sinta envergonhada por ter se mijado. Não sabe se foi de medo ou se a necessidade venceu. De qualquer forma, o que sua mãe fez é inaceitável, e ela não voltará a pisar em Hawks Holding.
— Eu... preciso ir — responde, tentando se levantar novamente. Não consegue.
Julieta se sente frustrada por estar indisposta quando só quer manter distância do homem a poucos metros dela.
— Precisa comer algo e descansar — fala, vendo seus papéis.
— Me leve para meu apartamento, lá vou descansar melhor — pede Julieta, abraçando a si mesma.
Não quer ficar perto de Maximiliano. Já entendeu que ele não quer se casar com ela, que não a ama e que sua família são monstros sem coração... exceto o avô Anthony, que foi o único a lhe mostrar afeto naquela família.
— Não posso — murmura Maximiliano.
— O quê? — indaga ela, virando-se de repente para vê-lo, o que só a faz ficar mais tonta.
Max se levanta devagar e rodeia a cama, a pega novamente e a deita nos lençóis.
— Pode me odiar, mas vai ficar aqui até conseguir andar bem. Depois farei te levarem para casa — deixa claro suas ordens— Se tentar sair sozinha, meus seguranças a arrastarão para dentro — mentiu na última parte, pois sabia que ela iria assim mesmo. Havia algo no olhar de Max...
Julieta bufou, cruzou os braços sob o peito e parou de olhá-lo. Ele ainda a afetava. Maximiliano interpretou isso como uma vantagem e sentou-se novamente, revisando documentos que precisavam de sua atenção.
Pouco depois, entra uma das senhoras, apresenta-se como Mira Carvallo e traz uma bandeja.
— O senhor mandou comprar esta sopa para a senhora — disse a senhora amável, loira, com o cabelo preso em um coque apertado, calça jeans simples e camisa de seda elegante.
A mulher coloca a bandeja em seu colo e se retira com um sorriso educado.
Julieta se recusa a agradecer a Maximiliano. Pode parecer infantil, mas já não queria vê-lo nem pintado. Começou a comer, dando pequenos goles em sua comida, sentindo o caldo aquecer seu estômago vazio.
Depois lembra que se mijou. Lembra que sua bexiga parecia que ia explodir. A maior vergonha de sua vida. Ainda bem que estava sozinha.
— O que te importa? — questiona Julieta— Nunca te importou, Maximiliano, então não venha com esse papo de que agora se preocupa.
Julieta enterra os sentimentos que tem por esse homem e levanta as muralhas de seu coração ainda mais alto.
— Julieta... não vai voltar a acontecer — diz Max suavemente. Quer explodir, mas lembra das palavras do médico— Eu cuido da minha mãe. Ela... sabia que te dizia coisas, mas não sabia que te agredia assim — disse com tom envergonhado.
Julieta não queria acreditar no que seus olhos viam. Deve estar atuando. Isso não é real.
Não é real!
— Quero ir para casa, Maximiliano — repete ela, perdendo a pouca força que havia recuperado.
— Te levarei eu mesmo... só pense, não pode ir — fala Max, parecendo mais consigo mesmo do que com ela.
Julieta opta por não responder, e ele voltou a se mergulhar no trabalho por pelo menos mais três horas. Julieta aproveitou para dormir todo esse tempo. Não queria vê-lo na cara e muito menos com o torso nu.
Quando Maximiliano se dignou a levá-la para casa, o sol já estava se pondo. Carregou-a e não a deixou pisar no chão.
— Posso andar — reclama, agarrando-se forte ao seu pescoço por medo de cair.
Maximiliano não responde. Não vai lhe dizer o medo que passou ao vê-la jogada naquela cabine de metal. De qualquer forma, ela não vai acreditar, então mantém a boca fechada. Era melhor se concentrar em levá-la para casa e não em como seu corpo se sentia bem contra o dele.
Quando chegaram à rua do apartamento, Maximiliano a carregou novamente, ignorando suas reclamações. Quando a deixou confortável na sala, saiu sem olhar para trás. Agora devia fazer uma visita rápida à sua mãe e deixar algumas coisinhas bem claras.

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