Assim se sente Julieta enquanto vai a uma farmácia, compra os comprimidos para enxaqueca e uma água para poder tomá-los. Pouco menos de dez minutos depois que Maximiliano chegou à empresa, ela entra pela porta. O burburinho está na ordem do dia, mas ela faz de conta que não escuta absolutamente nada e vai direto para a sala de reuniões, cujas paredes eram de vidro e podia ver que estava em pleno auge a reunião.
O catering havia chegado minutos antes, então aproveitou para arrumar um carrinho com tudo necessário para os investidores.
— Desculpem a interrupção — fala Julieta, sem olhar para os presentes.
— Pode entrar — responde o senhor Parrish sem conseguir tirar os olhos das pernas desnudas de Julieta.
— Como vai sua esposa? — pergunta Julieta gentilmente.
— Muito bem, Juli — comenta o homem com um sorriso nada agradável— Você tem uma assistente muito bonita e inteligente, Maximiliano.
— Obrigado — respondeu Max, com seu humor cada vez mais azedo— Eu sei, vamos continuar.
— Sim — responde meio distraído— Nos acompanhe, Juli — convida e aponta para a cadeira ao seu lado.
Bill Parrish era um homem que adorava andar com jovenzinhas que poderiam ser suas filhas, um homem com barriga de cerveja e nenhum cabelo na cabeça, mas sim nas costas. Sorri para Julieta como se ela tivesse ganho um prêmio, só por seu relógio caro e seu terno caro.
— Claro — respondeu simplesmente com um pequeno sorriso, decidindo sentar-se longe de Max e do senhor Parrish.
Havia uma cadeira entre cada homem e isso a fez sentir-se mais tranquila.
— Obrigada pelos aperitivos — disse uma das assistentes de Parrish.
— À disposição — responde Julieta com um pequeno aceno.
A reunião seguiu seu curso, mas o senhor Parrish não conseguia parar de admirar a assistente de Maximiliano, o que só deixava seu chefe nervoso.
— Julieta, deveria pensar na proposta que te fiz há seis meses — disse Parrish, levantando-se de sua cadeira, uma vez terminada a reunião.
Maximiliano continuava sentado, olhando o velho com olhos assassinos.
— Que proposta? — pergunta Max, com voz de aço, apertando os músculos para tentar se conter.
Bill engoliu em seco, sabia que não podia brincar com Maximiliano Hawks, mas a garota era bonita e inteligente, e ele gostava de colecionar coisas bonitas.
— O senhor Bill Parrish me ofereceu trabalho há seis meses — a resposta de Julieta chegou fria e impessoal.
Então saiu da sala com um "adeus e cumprimentos à sua esposa", deixando os homens sozinhos na sala de reuniões.
— Deixe-me dizer isto da maneira mais educada que minha fúria me permite — fala Max apertando os punhos— Afaste-se da minha mulher ou pode ser que um dia não volte para casa com sua adorável esposa — adverte Max, mortalmente.
Bill Parrish riu nervosamente, mas sabia que o homem à sua frente não mentia. Maximiliano era dono do maldito país e, se quisesse fazer alguém desaparecer, o faria. Existiam rumores de pessoas que desapareciam só porque não o agradavam. Era uma espécie de mafioso ou criminoso de colarinho branco. Talvez ambos, e Bill Parrish não queria estar do lado errado do milionário rico.
— Não o farei novamente, minhas mais sinceras desculpas — expressa o homem rapidamente— Devo ir, preciso comprar flores para minha esposa. É a melhor esposa que já tive... — Bill Parrish vai embora o resto do caminho, mal olhando na direção de Julieta.
A ela pouco importa, melhor não ter a atenção indesejada daquele homem sobre si.
— Pode ir quando terminar esses documentos — disse Max se aproximando dela. Julieta não levantou o rosto do computador e apenas assentiu— Cancele minhas últimas consultas.
Maximiliano saiu da empresa com semblante sombrio.
O trabalho continuou de maneira tranquila. Finalmente sua dor de cabeça estava passando e já podia ir para casa. Quando o elevador se abriu com um "ding", soube que vinham problemas. Era um pressentimento que não estava errado.
— Queria falar com você — a voz estridente de Brigitte Hawks fez a dor de cabeça voltar com força— Como ousa tratar assim minha futura nora?
— Acaso é surdo? Faça isso! — grita a mãe de Max, perdendo a compostura.
— Já liguei, senhora Hawks — disse Isabel, saindo de seu cubículo— Sempre faremos o que a mãe do nosso chefe diz. Essa garota é uma descarada — disse para ganhar a simpatia da mulher.
Julieta estava no quarto andar quando o elevador parou completamente, as luzes piscando até apagarem por completo. Seu coração começou a bater loucamente no peito. Odiava ficar em lugares fechados e escuros.
— Olá! — grita Julieta— Fiquei presa — resmunga— Olá, tem alguém perto!
Muitos a ouviram, mas Brigitte Hawks havia ordenado que não religassem o elevador até o dia seguinte.
***
Do outro lado da cidade, um homem de máscara e boné entra no hospital. Ninguém sabe quem é por causa de como seu rosto está bem escondido, mas é alto e musculoso, com uma aura tão imponente que não é preciso pedir que se afastem. Todos o fazem por conta própria.
— Não parece familiar? — pergunta um homem à sua esposa.
— Talvez seja um daqueles famosos — responde ela curiosa— Deveríamos segui-lo.
— Para quê? — pergunta o marido, já de olho em uma das enfermeiras que lhe faz charme.
— Se adivinharmos quem é, podemos ganhar muito dinheiro vendendo fotos ou vídeos para os tabloides — disse ela já seguindo o homem misterioso.
— Marie, isso é estúpido. Vem — disse o homem começando a segui-la.
Sua esposa o ouviu e continuou caminhando a pelo menos dez metros de distância do homem, enquanto o gravava. Quando ele entrou no consultório de oncologia, ambos ficaram paralisados.
— Ficarei aqui até que saia para ver se podemos ver bem seu rosto.

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