Do ponto de vista de Freya
Quando finalmente empurrei a porta da minha residência temporária, Lana quase pulou em cima de mim.
— Freya! Pela Lua! Você só chega em casa agora? Você disse que tinha começado a dirigir de manhã! Até um mensageiro humano teria chegado antes. E o seu WolfComm estava desligado! Eu quase reporteí seu desaparecimento à Unidade de Reconhecimento Colmillo de Hierro!
O alívio dela me atingiu como uma força física. Soltei o ar, tirando o casaco.
— Eu parei no caminho —disse—. Fui ver o Everett.
Lana congelou. Em seguida, seus olhos se arregalaram quando contei tudo: cada detalhe de ter entrado na presença do Alfa… de ter travado a garganta dele com o cotovelo… de ter arrancado o colar.
Quando terminei, ela soltou um longo assobio.
— Então você realmente travou a garganta do velho? Freya, ele é o chefe da família Williams. A espinha dorsal forjada por um Alfa. E você arrancou o colar dele.
— Eu não ia ficar sentada esperando que ele decidisse meu destino —minha voz saiu plana, calma—. Ele me encurralou. Eu me defendi.
— Te encurralou? Freya, ele te ameaçou. Você devia ter dado um soco tão forte que atravessasse ele —disse Lana, furiosa, andando de um lado para o outro—. Se eu estivesse lá, teria mordido ele pessoalmente.
Meu lobo bufou em silenciosa concordância.
Balancei a cabeça.
— Ele já salvou a vida do meu irmão uma vez. Eu não vou machucá-lo a menos que não tenha outra opção.
O que eu não disse —porque ainda me perturbava— foi o quanto Everett se parecia com Parker. A mesma linha das sobrancelhas. O mesmo formato dos olhos. Era como ver uma versão do meu irmão trinta anos mais velho. Como enxergar a sombra de Eric dentro de um homem que nunca foi, de fato, do nosso sangue.
A raiva de Lana se suavizou quando ela finalmente se sentou.
— Tudo bem… e agora? Você está segura. Isso é o que importa.
— Eu preciso de um dia de folga amanhã —disse.
Ela piscou.
— Folga? Por quê? Você está ferida? Ele te bateu? Os guardas te machucaram? Freya, jura pela Lua que—
— Estou bem —ergui a mão—. Preciso ir à Torre Whitmor. Ver o Silas.
— Silas? —a voz de Lana subiu uma oitava—. Por que ele?
— Para falar sobre a Jenny.
— Jenny? O que ela fez agora? Silas não tinha declarado que a expulsaria do registro da família Williams?
— Ele quer que ela seja expulsa —disse em voz baixa—. Mas agora… isso não pode acontecer.
Lana me encarou.
— Freya. Se explica.
— A salvadora do meu irmão —exalei—. A mulher que protegeu o Eric com o próprio corpo… tem leucemia. Ela precisa da medula da Jenny. Sem a Jenny, ela não vai sobreviver. E a família Williams está se preparando para expulsar a Jenny porque o Silas está pressionando.
Então, sim —por mais absurdo que fosse— eu precisava proteger a Jenny.
Por Eric.
Quem salvou ele… também é minha salvadora.
Lana ficou em silêncio por um longo momento, depois suspirou.
— Você é mole demais. Mas… eu entendo.
Naquela noite, mal encostei no sono. Meu lobo andava inquieto sob a pele, alerta, agitado. Sempre que fechava os olhos, via Parker tocando minha cabeça, com uma mistura de confusão e instinto na expressão. Eric ainda estava ali dentro, em algum lugar. Esperando despertar.
Na manhã seguinte, cheguei à Torre Whitmor —o prédio mais alto que perfura o coração da Capital, com paredes de aço, pedra negra e cristal lunar reforçado. O emblema da Coalizão Blindada brilhava sobre as portas.
Aproximei-me da recepção. A atendente se curvou educadamente.
— Gostaria de ver o Silas —disse—. Vim tratar de um assunto particular.
— Se não tiver um horário marcado —respondeu ela, com um sorriso ensaiado—, o presidente não estará disponível.

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