Ponto de vista de Freya
A mão de Kade apertou em torno de seus pauzinhos, seus nós dos dedos branqueando com uma quietude contida. Felizmente, a comida começou a chegar, preenchendo o silêncio com o suave tilintar de pratos e o aroma de carne assada e ervas.
Comemos devagar, falando sobre o que havia acontecido na Capital durante os meus dias de confinamento na ilha. Nem Kade nem Lana perguntaram o que havia ocorrido entre Silas e eu - eles eram muito perspicazes, muito respeitosos para tocar nessa ferida.
-Ouvi dizer que os ramos primeiro e segundo da Matilha Bluemoon entraram em guerra um com o outro,- disse Lana, dando um gole em seu copo. -Caelum Grafton está processando Aurora por conspirar com outros para fraudar a SilverTech Forgeworks. Ela está lutando para conseguir ajuda legal, mas nenhum advogado na Capital vai aceitar o caso dela.- Seu olhar se voltou para Kade, divertido.
Claro. A razão pela qual ninguém aceitaria o caso de Aurora estava sentada bem ao meu lado. A família da mãe dele - os Ashfords - controlava metade da rede legal da cidade.
-Eu costumava pensar que Caelum adorava Aurora,- continuou Lana secamente. -Agora olhe para eles - sangue e traição, como em toda saga trágica de matilha.
Eu não disse nada. A menção de seus nomes não me provocava mais nada. Uma vez, ouvi-los juntos teria incendiado minhas veias. Agora, era apenas silêncio.
Na metade da refeição, me desculpei para ir ao banheiro. O espelho acima da pia refletia um rosto pálido e cansado - e a marca vermelha fraca ao longo do meu pescoço.
Prendi a respiração. Silas. Aquela era a marca dele.
Flashes da noite anterior piscaram atrás dos meus olhos: o peso dele sobre mim, o calor de sua respiração contra minha pele, a desesperança em seu beijo. Pressionei os lábios juntos, com força. Se havia uma marca em minha garganta, então provavelmente havia outras - escondidas sob minhas roupas, invisíveis mas sentidas.
Kade não tinha dito nada antes, provavelmente não tinha notado. Mas eu não podia andar por aí com aquilo visível. Todo lobo sabia o que tal marca significava.
Soltei meu rabo de cavalo, deixando meus cabelos escuros caírem sobre meus ombros. As mechas roçaram contra meu pescoço, escondendo o rastro carmesim do que nunca deveria ter sido.
Ao me virar para sair, vozes chegaram do salão principal. Uma familiar me congelou no lugar.
Parker.
Ele estava entrando com um pequeno séquito - entre eles, uma mulher loira que reconheci instantaneamente: Jenny Williams. Meu estômago se contraiu. Eu não esperava vê-los aqui, de todos os lugares.
Avancei antes que pudesse hesitar. -Sr. Williams,- chamei suavemente. -Poderíamos conversar a sós?
Parker parou no meio do passo. Jenny, é claro, foi a primeira a zombar. -Bem, se não é Freya Thorne. O que vem a seguir, outro pequeno jogo de reunião? Ou você está esperando se aconchegar à família Williams desta vez?

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