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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 357

POV de Terceira Pessoa

O tom de Silas era calmo, mas a escuridão em seus olhos traía o cansaço.

-Como eu poderia jogar minha vida fora?- ele disse baixinho. -Assim que suas feridas cicatrizarem, eu vou te tirar desta ilha. Ainda preciso desta vida para isso, não é?

Freya franziu a testa, seu olhar fixo no punhado de pílulas em sua mão. -Então por que tomar tantas de uma vez? A bula diz que a dose não deve exceder cinco comprimidos.

-Cinco não fazem nada por mim,- Silas respondeu planamente. -Se estou tomando, é porque quero dormir, não porque quero morrer.

Ela hesitou, estudando-o. A luz fraca pegou os fios prateados em seu cabelo escuro, os traços afiados de seu rosto. Havia algo diferente nele agora - menos do Alfa que comandava soldados, mais de um homem silenciosamente se desfazendo.

-Sua insônia ainda não melhorou?- ela perguntou suavemente. -Você viu um médico depois de voltar para o continente?

Ele deu uma risada seca. -Claro. Trocou as prescrições também. Ainda sem diferença.- Então seus olhos se ergueram para os dela, calmos mas penetrantes. -Por quê? Está preocupada comigo?

Freya pressionou os lábios, sem dizer nada.

-Você não precisa se preocupar,- ele continuou com aquela voz equilibrada e distante. -Meu corpo desenvolveu tolerância. Preciso de doses mais altas para funcionar. Vou ficar bem.

Antes que ela pudesse impedi-lo, ele inclinou a cabeça para trás, prestes a engolir as pílulas. Os reflexos de Freya entraram em ação - ela segurou seu pulso no ar, os dedos apertando sua pele. -Silas,- ela disse bruscamente, -não é verdade que quando você segura minha mão, consegue dormir sem precisar delas?

Seus olhos se estreitaram ligeiramente. -Você está com pena de mim?- ele retrucou. -Se eu dissesse sim - se eu admitisse que seu toque acalma o caos - você ficaria aqui esta noite? Você seguraria minha mão e garantiria que eu dormisse?

Sua respiração parou. A pergunta pairava pesada no ar entre eles. Ela hesitou, seus instintos em guerra - loba e mulher, empatia e orgulho.

Mas antes que ela pudesse responder, Silas falou novamente, com a voz baixa mas firme. -Você poderia continuar com pena de mim para sempre, Freya?

Ela congelou, incerta do que ele queria dizer.

Ele sorriu levemente, uma ponta amarga torcendo seus lábios. -Porque se sua pena terminar no momento em que você deixar esta ilha, então que diferença faz? Se eu tomar menos pílulas ou mais, tudo termina da mesma maneira.

Com isso, ele gentilmente afastou os dedos dela, engoliu as pílulas e as acompanhou com um gole de água.

Freya virou a cabeça, incapaz de assistir. Ele havia insistido em manter distância, e ela deveria ter se sentido aliviada. Mas enquanto ouvia o som dele colocando o copo na mesa, seu peito ficou mais pesado, como se algo dentro dela tivesse se quebrado e se recusasse a se consertar.

Do lado de fora, o vento do mar uivava contra as paredes de vidro, as ondas batendo nas falésias abaixo como um coração. A ilha, isolada e indomada, refletia o silêncio que se estendia entre eles - dois lobos presos na mesma jaula, sem ousar se aproximar ou se afastar.

Enquanto isso, do outro lado da cidade de A Capital, o riso enchia um lounge privado em um dos clubes mais exclusivos.

-Lana, você não parece muito feliz esta noite,- uma das mulheres provocou, girando uma taça de vinho.

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