POV de Freya
Por um momento, suas lágrimas queimaram através da minha pele.
Elas estavam quentes, abrasadoras - como fogo contra a minha palma. Todo instinto em mim gritava para puxar minha mão para longe, para me proteger daquele calor, para acabar com este momento antes que me quebrasse novamente.
A razão me dizia que eu deveria ter recuado. Disse não. Terminou limpo.
Mas as palavras que saíram da minha boca eram suaves, tremendo coisas.
-Silas... Eu não sei se a confiança destruída pode ser reconstruída.
Porque era verdade. A confiança se quebra tão facilmente - como vidro se partindo em um único sopro. Mas juntá-la de novo? Isso leva anos. Às vezes, nunca acontece.
-Eu vou esperar-, ele disse, a voz rouca de emoção. -Eu vou esperar até que você possa confiar em mim novamente.
Ele soou... quase aliviado. Porque desta vez, eu não o tinha rejeitado completamente.
E essa pequena diferença - minha hesitação - foi suficiente para acender a esperança nele.
-E se eu nunca confiar em você novamente?- Perguntei baixinho.
Seus olhos suavizaram, escuros e determinados. -Então eu vou continuar esperando. Até eu ficar velho. Até eu partir.
As palavras me atingiram como uma pedra pressionada contra o meu peito.
Espere até ficar velho. Até a morte. Tais promessas soam eternas - mas quem neste mundo as mantém?
Silas e eu só tínhamos estado juntos por alguns meses. Os sentimentos formados em tão pouco tempo poderiam ser realmente tão profundos? Poderiam sobreviver à traição e ao fogo?
Ele não pressionou mais, no entanto. Em vez disso, seu tom suavizou. -Você vai ficar ao meu lado esta noite? Eu não quero acordar no meio da noite e me encontrar de volta no sofá novamente.
-Está bem-, murmurei. -Esta noite não vou para o sofá.
Concordei, mas quando a noite caiu e eu fiquei ao lado da cama, um mal-estar se infiltrou em mim como um vento frio. Não estávamos mais juntos. Ainda assim, aqui estávamos - prestes a compartilhar uma cama, mãos entrelaçadas como antes.
Eu me disse que era uma retribuição. Apenas uma retribuição. Nada mais.
-Não vai dormir?- Silas perguntou, já sentado na beira da cama, os olhos acompanhando meus movimentos.
-Vou-, eu disse, respirando fundo. Subi na cama, então hesitei apenas por um instante antes de estender a mão e segurar a dele primeiro.
Se tivesse que acontecer, melhor acabar com isso.
Ele recuou ligeiramente. Senti seu pulso saltar sob meus dedos, sua maçã de Adão subindo e descendo enquanto ele engolia. Meu pequeno gesto - algo tão simples quanto segurar as mãos - foi suficiente para desfazer a compostura de aço do Alfa Blindado.

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