— Por que ele acha que pode?
Beatriz disse essas palavras com o rosto inexpressivo, os lábios tremendo ligeiramente.
— Você está certa.
Guilherme abaixou a cabeça e depositou um beijo pesado na testa lisa dela: — Nossa Beatriz é um tesouro inestimável. Dar até mesmo uma olhada a mais para aquele lixo é se sujar.
— De agora em diante, a sua única família sou eu, a vovó e o nosso...
Ele parou no meio da frase.
Guilherme havia anunciado publicamente antes que não teria filhos, apenas para que os rumores sobre filhos ilegítimos não enojassem Beatriz, e também para provar sua determinação de se casar apenas com ela.
Mas, na verdade, no fundo de seu coração, ele desejava uma criança que pertencesse aos dois.
Beatriz compreendeu o que ele deixou por dizer.
Ela levantou a cabeça e olhou para ele.
— Guilherme.
— Hmm?
— Quando tudo isso acabar, quando resolvermos esse assunto dessa tal família reclusa...
Beatriz pausou, e duas nuvens vermelhas surgiram em seu rosto: — Vamos ter um filho.
Guilherme ficou paralisado.
Ele, que sempre permanecia impassível mesmo que montanhas desabassem à sua frente, agora estava olhando para Beatriz como um jovem inexperiente e bobo.
— É sério?
A voz dele estava um pouco apertada, e o seu pomo de adão se moveu.
— O que foi? O Sr. Guilherme não quer? — Beatriz fingiu estar séria.
— Eu quero! É claro que eu quero!
Guilherme segurou de forma firme a nuca dela e a beijou intensamente.
A chuva do lado de fora ficava cada vez mais forte, mas dentro da mansão estava muito quente.
Aquelas nuvens do passado seriam, afinal, dissipadas por esse amor apaixonado.

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