Esse foi o final para o qual ele estava destinado.
Tremendo as mãos, Felipe apontou para a última gaveta da mesa de cabeceira.
Foi a coisa que ele fez o advogado trazer para ele antes de ser preso.
— Pegue... pegue...
Limpando as lágrimas, Lucas abriu a gaveta.
Dentro, havia uma simples, mas finamente confeccionada caixa de sândalo vermelho; o exterior era gravado com elaborados desenhos florais de maçã selvagem.
A caixa parecia envelhecida.
— Isso é para a Beatriz? — Lucas perguntou.
Felipe tentou usar todas as suas forças para assentir, os olhos transbordando um tipo de súplica.
— Dê... dê a ela...
— Descul... pe... me...
Essa foi a frase mais dolorosa, porém a mais sincera, que ele já dissera durante toda a sua vida.
O triste disso tudo era que as orelhas que deveriam ter escutado essas palavras agora haviam sumido.
Tremendo um pouco, Lucas abriu a caixa.
Dentro havia apenas um antigo e um tanto enferrujado colar da sorte e um tambor de brinquedo desbotado e murcho, há muito esquecido.
Havia também uma folha de carta amarelada.
Isso fora deixado por Verônica na época.
— Isso é... das posses da mãe?
Lucas estava perplexo.
Durante todos esses anos, Isabel queimou todos os pertences que tivessem relação com Verônica na casa; ele nem suspeitava que seu pai estaria escondendo essas coisas.
Aquele Felipe, de antigamente, tinha feito carinhos na barriga de Verônica, imaginando os dias do crescimento dessa bebê. Aquela foi a ocasião em que um sorriso alcançou as orelhas de seu pai, quando ele prometeu torná-la a princesinha mais feliz do mundo.
Quando as coisas mudaram?
Foi depois da entrada de Isabel pela porta da frente? Ou desde que a voz doce e feminina de Larissa clamou a palavra "Papai"?

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