Guilherme olhou atordoado para a garota à sua frente; os olhos límpidos dela refletiam o rosto incrédulo dele.
Ela não o culpava.
E ainda disse... que também o amava.
No segundo seguinte, Guilherme levantou-se e abraçou Beatriz com força.
— Beatriz... minha Beatriz...
Ele enterrou o rosto na curva do pescoço dela, chamando o nome dela repetidamente.
Eram duas almas que, atravessando dez anos de tempo, finalmente se abraçavam sem reservas.
Beatriz retribuiu o abraço e sussurrou:
— Guilherme, obrigada.
— Obrigada por não desistir. E obrigada por me encontrar.
Guilherme não disse nada, apenas a abraçou e beijou seus lábios.
Um beijo cheio de agressividade e paixão.
Ele a pegou no colo e caminhou a passos largos em direção ao quarto.
— Beatriz, eu esperei por este dia, esperei por dez anos.
Sua voz soou no ouvido dela, carregada de desejo intenso e um afeto reprimido por muito tempo.
A porta do quarto foi fechada com um chute dele.
O quarto se encheu de calor e de uma atmosfera inebriante.
No dia seguinte, Beatriz foi acordada pelo calor da luz do sol entrando pela janela.
Ela se mexeu e sentiu o corpo todo dolorido e fraco, como se tivesse sido atropelada por um caminhão.
Principalmente a cintura, que parecia estar prestes a quebrar.
— Acordou?
Uma voz com um sorriso satisfeito soou acima de sua cabeça.
Ao abrir os olhos, Beatriz deparou-se com o rosto absurdamente bonito de Guilherme.
Ele estava deitado de lado ao lado dela, apoiando a cabeça com uma mão, olhando-a fixamente.
O rosto de Beatriz corou instantaneamente.
As cenas da noite anterior repetiam-se descontroladamente em sua mente.
Ela mordeu o lábio e lançou-lhe um olhar feroz.
— Guilherme, você é um demônio?
Guilherme riu baixinho.
No fim, Beatriz foi vencida e acabou implorando por misericórdia novamente.
Mal uma onda passava, outra se levantava.
Beatriz pensou que o "exercício matinal" de Guilherme seria o maior desafio do dia.
Até que a porta principal, aberta respeitosamente pelo mordomo, deu passagem a duas pessoas.
A temperatura da mansão, que antes estava cheia de uma atmosfera ambígua e romântica, caiu instantaneamente para o ponto de congelamento.
Eram os pais de Guilherme.
Firmino Guimarães e Yasmin.
O casal poderoso, que residia no exterior há anos e controlava metade do império internacional do Grupo Guimarães, apareceu na sala de estar sem aviso prévio.
Beatriz ainda vestia a camisa branca larga de Guilherme, deixando as pernas expostas, e no pescoço exibia as marcas vermelhas deixadas pela loucura da noite anterior.
A cena foi extremamente constrangedora.
Guilherme reagiu muito rápido, pegando uma manta do sofá e embrulhando Beatriz completamente, deixando apenas a cabeça cabeluda de fora.
Ele franziu a testa, com um olhar que misturava desejo não dissipado e o desagrado pela interrupção.
— Pai, mãe, por que não avisaram que voltariam ao país?
Firmino soltou um bufo frio, e seu olhar pousou em Beatriz com um desprezo indisfarçável.

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