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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 150

A pessoa que ele queria salvar estava sendo protegida nos braços de outro homem.

E a pessoa que queria a vida dela, no momento final, escolheu a própria destruição para não feri-lo.

O som das sirenes da polícia e da ambulância aproximava-se, do longe para o perto.

O assistente e os guarda-costas de Guilherme também chegaram ao local o mais rápido possível.

— Sr. Guilherme!

— Livrem-se disso. — Guilherme levantou-se com Beatriz nos braços, com o rosto gélido. — Tanto quem estava dirigindo quanto aquele estorvo ali ao lado. Não quero ver nenhum dos dois novamente.

— Sim, senhor!

Ele nem sequer olhou mais para Heitor ou Larissa, puxou Beatriz pela mão e entrou, ainda um pouco trôpego, no carro estacionado ao lado.

No momento em que a porta do carro se fechou, isolou todo o caos e o barulho lá fora.

Dentro do carro, Beatriz encolheu-se nos braços de Guilherme, ainda sentindo a leve rigidez no corpo dele.

Ela levantou a cabeça e viu a linha do maxilar dele tensa.

Ele também estava sentindo o medo pós-trauma.

Beatriz estendeu a mão e tocou suavemente o ferimento na testa dele.

— Dói?

Guilherme segurou a mão dela, levou-a aos lábios para beijar e balançou a cabeça.

— Vendo que você está bem, não dói mais.

Os olhos de Beatriz ficaram quentes novamente.

Ela não disse nada, apenas se aproximou e beijou os lábios dele.

Esse beijo carregava o alívio de sobreviver a uma catástrofe e um amor profundo que não podia mais ser escondido.

Guilherme ficou atônito por um momento, mas logo assumiu o controle e aprofundou o beijo.

A tentativa de homicídio premeditado terminou com Larissa gravemente ferida e presa.

Como seu estado mental já era instável, somado à acusação de tentativa de homicídio, ela provavelmente passaria o resto da vida na prisão.

A empresa de Heitor, sob a pressão contínua de Guilherme, declarou falência definitiva.

Ele vendeu todos os seus bens para conseguir pagar as dívidas e, a partir de então, desapareceu da Capital sem deixar vestígios.

Todas as pessoas e acontecimentos desagradáveis foram como a neve no inverno, derretidos completamente por um sol repentino e acolhedor.

— São coisas minhas antigas. — Beatriz sorriu. — Deixe que eu arrumo.

— Tudo bem.

Beatriz pegou a caixa e voltou para a sala.

Ela sentou-se de pernas cruzadas no tapete grosso e abriu a caixa de papelão empoeirada.

Um cheiro de livros velhos e de tempos passados exalou dali.

Dentro havia livros didáticos do ensino médio, cadernos de anotações, algumas fotos antigas já amareladas e algumas bugigangas que ela nem lembrava quando tinha guardado.

Ela pegou um caderno de química e folheou aleatoriamente.

A caligrafia delicada e o raciocínio claro na resolução dos problemas registravam os poucos momentos de paz e esforço que ela teve no passado.

Os cantos de seus lábios se curvaram num sorriso involuntário.

Ao virar a última página do caderno, uma caneta caiu de dentro do compartimento.

[Clack]

Caiu sobre o tapete.

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