Um caminhão velho, soltando fumaça preta, avançou diretamente na direção deles.
— Cuidado!
Guilherme empurrou Beatriz para longe e colocou-se de lado, servindo de escudo na frente dela.
As rosas vermelhas desenharam um arco trágico no ar e espalharam-se pelo chão.
O tempo pareceu entrar em câmera lenta naquele instante.
Beatriz tropeçou com o empurrão e, ao olhar para trás, viu apenas aquele caminhão enlouquecido chegando cada vez mais perto de Guilherme.
Seu coração foi parar na boca!
— Guilherme!
Do outro lado, Heitor também ficou paralisado com a cena repentina.
Quando ele viu claramente o rosto distorcido e maníaco no banco do motorista, seu corpo inteiro estremeceu!
Larissa!
Ela ficou louca?!
Vendo que o caminhão estava prestes a atingir Guilherme e Beatriz, a mente de Heitor ficou em branco, mas seu corpo agiu antes da razão e também correu na direção deles!
— Beatriz!
E, naquele exato momento.
Larissa, no banco do motorista, também viu a pessoa que corria desesperadamente em direção ao perigo.
Era Heitor.
Era o homem que ela amou por tantos anos, por quem sacrificou tudo, mas que no final a descartou como um sapato velho.
Agora, ele estava indo salvar a Beatriz...
Ele estava indo, de fato, salvar aquela vadia...
Nos olhos de Larissa, injetados de sangue, passou pela primeira e última vez um traço de hesitação e dor.
Ela não queria machucá-lo.
Mesmo naquele momento final, ela ainda não queria machucá-lo.
Numa fração de segundo, ela girou o volante bruscamente.
O caminhão, num ângulo bizarro, raspou no corpo de Guilherme e desviou por pouco de sua trajetória original.
[Bang —!]
Após um estrondo ensurdecedor, o caminhão desgovernado colidiu violentamente contra um poste de concreto na beira da estrada.
A frente do veículo afundou e se deformou instantaneamente, espalhando vidro para todos os lados.
Era um tipo de amor que doía profundamente só de pensar em perder.
— Não tenha medo, eu estou bem.
Uma mão grande e quente segurou a mão gelada dela.
Guilherme apoiou-se no chão e sentou-se lentamente.
Sua testa tinha um corte feito por estilhaços de vidro voadores, e seu terno cinza-escuro estava coberto de poeira, dando-lhe uma aparência um pouco desgrenhada.
Mas seu olhar continuava calmo como o mar.
As lágrimas de Beatriz romperam a barreira.
Ela se jogou nos braços dele, abraçando sua cintura com força, como se quisesse fundi-lo em seus próprios ossos.
— Você me matou de susto... Você me matou de susto!
— Bobinha. — Guilherme sentiu o tremor da pessoa em seus braços, e seu coração amoleceu e doeu. Ele acariciou as costas dela, com a voz grave e rouca. — Como eu teria coragem de te deixar triste?
Do outro lado, Heitor também se recuperava do choque.
Ele tinha acabado de correr, mas só teve tempo de ver o caminhão desviar e raspar em Guilherme antes de bater no poste.
Ele olhou para o casal abraçado com força e depois para a cabine do motorista, onde Larissa estava presa, com o rosto coberto de sangue e já desmaiada, sentindo apenas um absurdo e uma ironia sem fim.

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