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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 143

Os rostos de Matheus e Miguel ficaram lívidos com o questionamento de Beatriz.

Todo o fingimento, todos os cálculos foram despedaçados pelas palavras dela, expostos ao ar livre.

O constrangimento, a vergonha e a raiva de terem sido desmascarados surgiram de uma só vez em seus corações.

Beatriz olhou para aquela cena e achou tudo incrivelmente ridículo.

Ela se abaixou e pegou o [Acordo de Transferência de Ações] sobre a mesa.

Então, sob os olhares atônitos deles, ela gentilmente jogou os papéis para o alto.

As folhas voaram e caíram como flocos de neve aos pés deles.

— Eu não me importo com esse papel velho.

— E não precisam continuar atuando aqui, estou cansada de assistir.

Ela endireitou o corpo, recuperando sua postura indiferente.

— Em consideração ao vovô, vou lhes dar um conselho de amiga.

— Em vez de se ajoelharem aqui me implorando, gastem esse tempo pensando em como sobreviver com as próprias mãos.

— Não deixem que o trabalho de uma vida inteira do vovô se transforme, de fato, em um monte de papel inútil nas mãos de vocês.

Dito isso, ela se virou e caminhou em direção a Guilherme sem olhar para trás.

Guilherme não havia interferido em momento algum, apenas a observava silenciosamente.

Naquele momento, ele se levantou e segurou a mão dela com naturalidade, seus olhos revelando uma admiração e um carinho indisfarçáveis.

Matheus e Miguel, ajoelhados no chão, olharam para os papéis espalhados e depois para o casal afetuoso.

Os dois levantaram-se cambaleando e deixaram a mansão, desolados.

No restaurante, restou apenas Lucas.

Ele permaneceu parado, olhando para os papéis no chão, com o rosto cheio de amargura.

— Lucas.

A voz de Beatriz soou repentinamente atrás dele.

Lucas enrijeceu e se virou.

Viu que Beatriz e Guilherme não tinham ido embora; estavam parados não muito longe, olhando para ele.

— Sente-se.

Beatriz apontou para a mesa de jantar.

— Vamos comer alguma coisa juntos.

Lucas ergueu a cabeça e encontrou os olhos límpidos de Beatriz.

Neles não havia ódio nem ressentimento, apenas serenidade.

Na mente de Beatriz, passou a lembrança daquela noite de tempestade.

Ela havia sido expulsa de casa por Miguel, que jogara todas as suas pesquisas no lixão.

Ela viu o carro de Lucas passar não muito longe e, cheia de esperança, achou que tinha encontrado uma salvação.

Mas o carro não parou, seguiu direto.

Ela ainda se lembrava do desespero daquele momento.

Mas, depois, ela entendeu.

A chuva estava muito forte naquele dia, estava escuro, e ele, sentado no carro, jamais poderia tê-la visto encolhida no meio do lixo.

Racionalmente, ela sabia que não era culpa dele.

Mas emocionalmente, aquela barreira não era tão fácil de superar.

Porém, hoje, vendo a face horrível de Matheus e Miguel, e comparando com o silêncio e a honestidade de Lucas do início ao fim...

Ela sentiu que, talvez, pudesse tentar deixar um pouco de dignidade familiar para si mesma e para ele.

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