“O problema de homens como Edward Fitzgerald nunca foi o amor… foi a forma como eles reagiam quando alguém machucava a mulher que escolheram proteger.”
O maior erro de certas pessoas nunca foi espalhar mentiras, foi esquecer que homens perigosos raramente perdoam quando alguém transforma a mulher que eles amam em alvo.
Augustus Fitzgerald continuou encarando o neto em absoluto silêncio durante vários segundos depois da resposta dele, mantendo os olhos presos em Edward com a mesma atenção fria, experiente e analítica de um homem que passou décadas inteiras observando empresários destruírem impérios, famílias e a si mesmos por orgulho, ambição ou fraqueza emocional.
Mas aquilo diante dele era diferente.
Porque Edward Fitzgerald jamais teve o hábito de se preocupar genuinamente com alguém além da própria empresa, do sobrenome que carregava ou da imagem impecavelmente controlada que construiu durante anos dentro do mercado financeiro americano.
E mesmo assim, desde o instante em que aquela matéria apareceu na tela do tablet, Augustus percebeu exatamente qual tinha sido a primeira reação do neto.
Não foi irritação pela exposição pública, nem preocupação com investidores.
Muito menos medo das consequências financeiras.
Foi Dayse.
Os olhos azuis dele tinham escurecido imediatamente quando o nome dela apareceu estampado naquela matéria sensacionalista, e a mandíbula masculina endureceu de uma forma lenta e silenciosa que Augustus conhecia bem demais para ignorar.
Edward não estava reagindo como CEO.
Estava reagindo como homem.
E talvez aquilo tenha sido exatamente o que mais chamou a atenção do patriarca.
Porque o neto passou anos inteiros aprendendo a esconder emoções antes mesmo de demonstrá-las, transformando autocontrole em armadura e frieza em mecanismo de sobrevivência, mas naquela manhã o avô conseguiu enxergar com clareza alguma coisa que o neto provavelmente ainda tentava negar para si mesmo.
Ele estava protegendo Dayse antes até de pensar em proteger a si próprio.
O velho apoiou lentamente as duas mãos sobre a bengala elegante enquanto continuava observando o neto em silêncio, e Adrian percebeu primeiro a pequena mudança surgindo na expressão dele.
O olhar menos duro e quase satisfeito.
Edward também percebeu.
Os olhos azuis finalmente se ergueram lentamente em direção ao avô enquanto uma pequena tensão surgia no maxilar masculino.
— O que foi? — perguntou com a voz baixa, controlada e fria demais para parecer casual.
Augustus sustentou o olhar do neto durante mais alguns segundos antes de responder calmamente:
— Nada. — murmurou. — Só estava tentando lembrar qual foi a última vez que vi você mais preocupado em proteger alguém do que proteger a própria empresa.
O silêncio que caiu sobre a sala naquele instante pareceu pesado demais até para Adrian.
Porque aquilo era verdade.
Edward Fitzgerald sempre protegeu o império, a empresa e o sobrenome.
Mas daquela vez a primeira reação dele foi proteger Dayse Whitmore.
Ele permaneceu imóvel, mas Adrian viu a pequena contração atravessando lentamente a mandíbula masculina no instante em que ouviu aquilo, e Augustus percebeu também o jeito como os dedos do neto apertaram minimamente o tablet apoiado sobre a mesa de vidro escuro.
O velho desviou os olhos novamente para a matéria aberta na tela.
A foto do beijo.
As insinuações sobre o contrato.
O nome de Dayse sendo usado daquela maneira oportunista e cruel para alimentar rumores corporativos.
O semblante de Augustus endureceu imediatamente outra vez.
— Espero que você resolva essa situação o mais rápido possível.

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