“Às vezes, o medo não nasce da dor. Nasce no instante em que alguém finalmente percebe que encontrou uma felicidade grande demais para arriscar perder.”
O verdadeiro problema da felicidade nunca esteve nos momentos difíceis, nas brigas, nas crises ou nos dias em que tudo parecia desmoronar, porque Dayse sempre soube sobreviver ao caos.
O verdadeiro problema começava quando tudo ficava bom demais.
Porque era exatamente aí que o medo aparecia.
A pequena ilha particular onde o restaurante do resort funcionava parecia silenciosa e isolada do restante do mundo enquanto o mar escuro cercava calmamente toda a estrutura construída praticamente sobre a água cristalina das Maldivas, iluminada apenas pelas luzes douradas espalhadas ao redor das mesas e pelo reflexo suave da lua começando a surgir no horizonte.
A música baixa preenchia o ambiente sem exagero algum, misturando-se ao som distante das ondas batendo contra a madeira do deck enquanto funcionários elegantemente vestidos circulavam discretamente entre as mesas carregando taças, pratos sofisticados e garrafas caras demais para que qualquer pessoa ali realmente perguntasse o preço.
Mas Dayse mal prestava atenção em qualquer uma daquelas coisas porque fazia muito tempo desde a última vez que ela se sentiu leve, segura e genuinamente feliz daquele jeito sem permanecer esperando a próxima tragédia acontecer.
Mais afastados das mulheres, Edward, Daniel e Adrian permaneciam próximos à parte externa do restaurante enquanto conversavam de maneira muito mais descontraída do que normalmente acontecia fora dali.
Daniel ria de alguma coisa que Adrian tinha acabado de comentar enquanto apoiava parcialmente o corpo na estrutura de madeira do deck segurando um copo de whisky, e até Edward parecia diferente naquela noite porque, pela primeira vez em muito tempo, ele realmente aparentava estar descansando, sem telefone tocando o tempo inteiro, sem reuniões interrompendo o momento e sem aquela expressão constantemente fechada que normalmente endurecia o rosto masculino mesmo nos raros instantes de tranquilidade.
Ele permanecia ouvindo a conversa dos amigos com um pequeno sorriso discreto preso no canto da boca enquanto girava lentamente o whisky dentro do copo, mas mesmo distante das mulheres ainda parecia atento demais à presença de Dayse, como se alguma parte dele continuasse constantemente ligada nela independentemente da distância entre os dois.
Mais afastadas deles, Clara permanecia sentada ao lado de Marina observando o mar ao redor da ilha enquanto mexia distraidamente na própria taça de bebida claramente encantada com aquele lugar para conseguir esconder.
— Eu ainda não consegui aceitar que isso aqui existe de verdade. — ela comentou soltando uma risada baixa enquanto apoiava o queixo na mão. — Em algum momento eu sinceramente espero alguém aparecer dizendo que entramos no restaurante errado porque minha realidade financeira claramente não conversa com esse lugar.
Marina começou a rir imediatamente.
— Você está repetindo isso desde que chegamos.
— Porque desde que chegamos eu continuo emocionalmente pobre diante dessa paisagem.
Dayse acabou rindo baixinho junto delas.
Mas Marina percebeu quase imediatamente que existia alguma coisa diferente na amiga naquela noite.
Porque Dayse sorria, conversava e realmente parecia estar aproveitando a viagem, mas ainda existia alguma coisa inquieta escondida por trás da tranquilidade dela naquela noite.
Ela parecia distraída demais.
Os olhos dela escapavam constantemente para Edward sem que ela sequer percebesse aquilo conscientemente.
Marina observou a amiga durante alguns segundos antes de apoiar calmamente a taça sobre a mesa.
— O que foi? — perguntou num tom tranquilo enquanto analisava discretamente a expressão dela.
Dayse desviou os olhos do mar imediatamente.
— Nada.
Clara soltou uma risada baixa quase instantaneamente.
— Dayse Whitmore, eu te conheço há tempo suficiente pra saber exatamente quando você responde “nada” querendo dizer “eu estou surtando internamente”.
Dayse abaixou discretamente o olhar para a própria bebida enquanto os dedos apertavam levemente a taça entre suas mãos.
Ela permaneceu em silêncio durante alguns segundos longos demais antes de finalmente respirar fundo.
— Eu acho que estou com medo. — confessou num tom de voz mais baixo.
As duas amigas imediatamente ficaram sérias.
O vento atravessou lentamente os cabelos dela enquanto Dayse mantinha os olhos presos na bebida como se ainda estivesse tentando organizar os próprios pensamentos antes de continuar.
— Porque eu estou feliz demais. — ela admitiu finalmente enquanto soltava uma risada baixa sem humor algum. — E toda vez que alguma coisa fica boa demais na minha vida eu começo a esperar o momento em que tudo vai dar errado.
Clara suavizou imediatamente a expressão. Mas foi Marina quem respondeu primeiro. E talvez aquilo tivesse ainda mais peso justamente porque Marina sempre foi a mais racional das três.
— Dayse… — ela murmurou enquanto segurava delicadamente a mão da amiga sobre a mesa. — Você percebe que Edward praticamente não faz mais questão de esconder que está apaixonado por você, não percebe?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe