“Existem homens que passam a vida inteira protegendo a própria intimidade do mundo, até o instante em que encontram alguém importante demais para continuar escondendo.”
O verdadeiro problema de homens controlados nunca esteve no instante em que eles se apaixonavam, mas sim no momento em que deixavam de se preocupar em esconder aquilo das outras pessoas.
E Edward Fitzgerald claramente tinha chegado naquele ponto.
Dayse percebeu isso enquanto caminhava ao lado dele pela enorme passarela de madeira construída sobre o mar cristalino das Maldivas, sentindo os dedos masculinos entrelaçados aos seus de maneira firme, confortável e natural, como se Edward simplesmente já não enxergasse motivo algum para manter distância física dela nem mesmo diante dos fotógrafos, hóspedes curiosos ou funcionários elegantemente alinhados ao redor do resort luxuoso.
O vento quente atravessava os cabelos dela enquanto o sol dourado do fim da tarde iluminava o mar azul-turquesa espalhado ao redor dos enormes bangalôs construídos sobre a água, mas Dayse mal conseguia prestar atenção na paisagem porque a única coisa que realmente ocupava espaço dentro da cabeça dela era a forma como Edward permanecia segurando sua mão sem distração alguma desde o instante em que tinham descido do jatinho.
E aquilo mexia com ela mais do que deveria.
Porque Edward Fitzgerald sempre foi um homem reservado demais com a própria vida pessoal, extremamente cuidadoso com exposição emocional, entrevistas, fotógrafos e qualquer detalhe que permitisse que o mundo enxergasse além da imagem fria, poderosa e inalcançável que ele construiu durante anos dentro do universo empresarial.
Mas naquela viagem, alguma coisa parecia diferente.
Pela primeira vez, Edward não parecia interessado em esconder o quanto Dayse ocupava espaço dentro da vida dele.
Mais à frente, Clara praticamente surtava de felicidade enquanto caminhava ao lado de Adrian observando cada detalhe do resort com os olhos arregalados num nível de empolgação completamente incompatível com qualquer tentativa de agir normalmente.
Ela segurava o celular com força gravando vídeos do mar, dos bangalôs enormes construídos sobre a água cristalina e até dos pequenos barcos luxuosos atravessando o horizonte iluminado pelo pôr do sol.
— Adrian, eu preciso dizer uma coisa muito séria antes que eu tenha um colapso emocional nesse lugar. — ela anunciou dramaticamente sem conseguir esconder o sorriso completamente fascinado estampado no rosto.
Adrian soltou uma risada baixa enquanto puxava discretamente as malas deles.
— Isso normalmente nunca termina bem.
— Se algum dia eu desaparecer misteriosamente, saiba que provavelmente fui sequestrada por milionários tropicais porque esse lugar claramente não pertence ao mesmo planeta da minha realidade financeira e emocional.
Marina começou a rir imediatamente.
Daniel também acabou soltando uma risada abafada enquanto observava Clara girar lentamente o corpo admirando o mar ao redor deles.
— Clara, pelo amor de Deus… — Marina comentou ainda rindo.
— Não, vocês não estão entendendo! — ela rebateu apontando dramaticamente para um dos barcos próximos ao píer. — Existe literalmente um homem servindo champanhe dentro de um barco particular enquanto eu ainda fico feliz quando o motorista do aplicativo não cancela minha corrida!
Adrian observava a namorada com uma expressão silenciosamente apaixonada enquanto ela continuava surtando diante do resort inteiro como se estivesse vivendo dentro de um filme romântico milionário.
E aquilo ficou ainda mais evidente no instante em que Clara quase tropeçou distraída olhando o horizonte e Adrian no mesmo instante segurou a cintura dela antes mesmo que ela perdesse o equilíbrio.
— Obrigada. — ela murmurou entre risadas.
— Eu já aceitei que vou passar essa viagem inteira impedindo você de sofrer acidentes causados por excesso de empolgação.
Clara abriu um sorriso enorme antes de se aproximar e beijar os lábios dele sem qualquer vergonha.
Mais atrás, Marina permanecia abraçada a Daniel enquanto observava Dayse caminhando ao lado de Edward.
Os olhos dela acompanharam em silêncio a maneira como Edward continuava segurando a mão de Dayse o tempo inteiro, sem sequer parecer perceber que fazia aquilo, como se tocar nela tivesse simplesmente se tornado natural demais para ele.
Daniel também percebeu.
E talvez o mais estranho de tudo fosse admitir que, pela primeira vez em muito tempo, alguma coisa dentro dele relaxava ao observar os dois daquela forma.
Porque homens protetores reconheciam certas coisas sem precisar ouvir explicações.
E Edward Fitzgerald olhava para Dayse exatamente como um homem que já não sabia mais existir longe dela.
O funcionário do resort finalmente parou diante de dois enormes bangalôs construídos sobre a água cristalina enquanto explicava com cuidado a divisão das suítes reservadas para eles.
Clara arregalou os olhos no mesmo instante.
— Nós vamos dormir AQUI?!
— Amor, tenta não assustar os funcionários logo no primeiro dia. — Adrian murmurou discretamente.
— Adrian, existe um chão DE VIDRO! — Clara praticamente sussurrou gritando enquanto apontava para a estrutura transparente construída sobre o mar. — Eu consigo ver os peixes NADANDO embaixo da suíte! Isso aqui não é hospedagem, isso aqui é humilhação social de pobre!
Marina começou a rir outra vez.
Até Dayse acabou soltando uma risada baixa.

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