Capítulo 54 – Improvável.
Declan Reed
Ainda estava com a Jenny em meus braços, quando Pierre apareceu na porta.
— A polícia chegou, já falei com eles. O dono do restaurante é um amigo meu e, antes deles chegarem, eu já havia pedido as imagens onde mostra o momento em que ele entra no banheiro feminino. — ele nos informou. — Se quiserem, podem levá-la, eu cuido de tudo.
— Ela não precisa depor? — perguntei.
— Eu irei como testemunha, e eles podem pegar o depoimento dela mais tarde, quando ela estiver mais calma. — Pierre concluiu.
Ouvia o Cyrus resmungar, mas Noah havia o calado com mais um chute nas costelas.
— Pequena, vamos embora. — eu disse em seu ouvido e ela assentiu com um aceno.
Levantamos os três, eu, ela e Ju. E sem aviso a peguei no colo.
— Reed… — ela sussurrou em protesto.
— Shiiii… — eu fiz para ela. — Vou te carregar e não tem discussão.
Ela colocou a cabeça em meu ombro e a apertei sobre meu peito, Ju estava agarrada ao Noah, era visível como aquilo havia mexido com ela. Seguimos até o carro, Amanda veio junto e ela chorava silenciosamente.
Coloquei a Jen com cuidado no carro, e me sentei ao seu lado, segurando sua mão e colocando sua cabeça em meu ombro. Comecei acariciar seu rosto, eu estava odiando vê-la daquele jeito, lembrar pelo que ela passou.
Dei um beijo no topo de sua cabeça, como quem diz: “tô aqui”. E ela apertou minha mão em resposta. Era como se ela me dissesse “obrigado” ou um “eu tô bem”, mas sem palavras, só com esse simples gesto.
O caminho até o hotel foi silencioso, Amanda olhava pela janela como se estivesse evitando nos encarar. Noah manteve Ju agarrada a ele. O Carro parou e quis pegar Jenny no colo novamente.
— Não, eu vou caminhando. Já dei trabalho e chamei atenção demais por um dia só. — me disse com a voz embargada.
E mais uma vez sem aviso, a peguei no colo, ela enterrou o rosto em meu ombro e decidi não falar nada para ela não se sentir mais desconfortável. Amanda desceu em seu andar, e nós fomos até o nosso.
— Eu fico com ela, Reed, se quiser. — Ju falou, mas neguei com a cabeça.
— Agradeço, mas não tenho a intenção de sair de perto dela.
Juliet suspirou, mas acabou não retrucando, ela abriu a porta pra mim e entrei com Jen ainda em meu colo. Caminhei com ela até a cama e a coloquei ali com cuidado, sentei ao seu lado, tirei o cabelo de seu rosto e dei um beijo em sua testa.
— Quer beber alguma coisa? — ela negou com a cabeça. — Quer tirar essa roupa? — e ganhei mais um não. — Tem certeza? Talvez um banho ajude, não quer tentar?
— Queria tirar o cheiro dele de mim. — as lágrimas dela voltaram. — Mas acho que nem conseguiria ficar de pé de tanto que meu corpo está tremendo.
Sequei suas lágrimas, coloquei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.
— Eu posso encher a banheira. O que acha?
Ela concordou com a cabeça, levantei e fui até o banheiro. Temperei a água, procurei sais de banho e os coloquei na banheira. Voltei até o quarto, e a peguei no colo para levá-la ao banho.
Dessa vez ela não me questionou, acho que no fundo ela sabia que discutir seria inútil. A sentei na beirada da banheira, e agachei para tirar seus saltos, olhei para o vestido rasgado, e no rosto dela a marca avermelhada agora ganhava um tom arroxeado.
— Vamos tirar esse vestido.
— Reed…

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