Capítulo 344 — Até que a Morte nos Separe
Juliet Blake
O estrondo da tranca de ferro enferrujada selou o celeiro, cortando a luz do sol e mergulhando-nos em uma penumbra sufocante, iluminada apenas pelas frestas de luz que vazavam entre as tábuas de madeira apodrecida. O cheiro de poeira velha e feno mofado invadiu as minhas narinas, misturado com o cheiro azedo do suor frio do homem que me arrastava.
George me empurrou com brutalidade. Tropecei nos meus próprios pés e caí de joelhos no chão de terra batida, raspando a pele, enquanto o meu vestido se sujava com a poeira de décadas.
Do lado de fora, a voz do Noah rugia. Era um som animalesco, desesperado, acompanhado pelo barulho de corpos se chocando contra as pesadas portas de madeira dupla, tentando arrombá-las à força.
— Fica no chão! — George berrou, apontando a arma trêmula para a minha cabeça, os olhos arregalados e injetados de sangue. Ele andava de um lado para o outro, a respiração ofegante, parecendo um animal encurralado pela própria loucura.
Levantei o rosto devagar. Os meus joelhos doíam, o meu couro cabeludo ardia pelo puxão, mas, quando encarei o homem que foi o meu carrasco por tantos anos, eu percebi a maior mudança de todas. A Juliet que apanhava e se encolhia de pavor não existia mais. Eu não sentia medo do George. Eu sentia nojo. E sentia uma paz avassaladora por saber que, do outro lado daquelas portas, o meu pequeno Luke estava seguro nos braços do pai.
— Você achou que tinha vencido, não é, Juliet? — George rosnou, parando na minha frente. A arma tremia nas mãos dele. — Achou que ia fugir com os meus filhos, destruir o meu nome, arrastar a família Monroe para a lama e ir viver um conto de fadas com o seu bilionário de merda?!
— Você se destruiu sozinho, George. — A minha voz saiu firme, sem vacilar. — As suas escolhas trouxeram você até aqui.
Ele riu. Uma risada seca, sem humor, completamente enlouquecida.
— Não! Foi você! — Ele gritou, chutando um balde de metal enferrujado que voou contra a parede do celeiro. — O meu pai tirou tudo de mim! O escândalo me tirou a minha carreira, o meu dinheiro, os meus "amigos". Eu não tenho mais onde cair morto. O cerco fechou. O seu maridinho mandou cães atrás de mim que não me deixam respirar. Eu não durmo, eu não como, eu não tenho paz!
Ele caminhou até o canto do celeiro. Foi então que o meu coração gelou. Havia três galões vermelhos encostados na parede de madeira. Gasolina. Ele tinha planejado aquilo.
George pegou o primeiro galão, destampou e começou a jogar o líquido inflamável por todo o chão de palha seca e madeira velha. O cheiro forte e químico da gasolina tomou conta do ar instantaneamente, fazendo os meus olhos arderem.
Tentei me levantar, mas ele virou a arma na minha direção no mesmo segundo.
— Um passo e eu atiro na sua perna! — Ele ameaçou, os dentes trincados, jogando mais gasolina nas paredes ao nosso redor. — Lembra do que você prometeu na igreja, Juliet? Diante de todo mundo? "Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença..."
Ele jogou o resto do galão a poucos centímetros de onde eu estava ajoelhada. O líquido espirrou na barra do meu vestido.
— "...Até que a morte nos separe." — Ele concluiu, jogando o galão vazio de lado e puxando um isqueiro de metal do bolso da calça suja. — Você me pertence. Eu disse que não ia te deixar em paz. Se eu não tenho mais vida, você também não vai ter. A morte não vai nos separar. Ela vai nos unir pra sempre.
Do lado de fora, ouvi o barulho de machados ou ferramentas pesadas batendo contra a madeira grossa. A nossa família estava lutando desesperadamente para entrar. O choro da Laurinha e a voz rouca do Noah gritando o meu nome rasgavam o meu peito.

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