Capítulo 232 — Sangue e Lealdade
Noah Blake
Do outro lado da linha, o silêncio se estendeu por alguns segundos. Dez milhões de dólares compravam muito silêncio, mas também compravam muita ação. Eu sabia que Snake estava fazendo as contas na cabeça dele.
— Dez milhões... — A voz dele soou diferente. Menos debochada, mais interessada. — E posso saber quem é a alma generosa que vai pagar esse valor para ajudar meu Hermanito?
— Noah Blake. — respondi secamente.
— Ora, ora… Que prazer finalmente falar com o senhor. E preciso dizer que o senhor Blake sabe como motivar um homem de negócios.
— Não sou um homem de negócios com você, Snake. Sou um homem com pressa. — cortei, frio. — Aceita ou não?
— Aceito. — Ele respondeu rápido. — Mas não vamos acertar os detalhes por telefone. Essa linha pode não ser tão segura quanto a gente pensa, e o Drácula tem ouvidos em todo lugar.
— Como vamos fazer?
— Encontro pessoal. Hoje à noite. No meu cassino, no Brooklyn. — Snake instruiu. — Eu abro os caminhos. Faço o David sair da toca, armo a arapuca. Mas a responsabilidade de pegar o cara e levar ele embora é de vocês. Eu não quero minha equipe na linha de tiro dos federais ou do Drácula.
— Feito. — concordei.
Gayer, que ouvia tudo atento ao meu lado, fez um sinal pedindo a palavra e eu assenti.
— Vamos levar uma equipe. — Gayer avisou. — E antes de deixarmos tudo certo, preciso alinhar com o Dom e o Chris.
— E essa voz carrega que nome? — Snake perguntou.
— Sou Gayer, chefe de segurança do senhor Blake. Além do meu pessoal, provavelmente o Chris vai levar o pessoal dele, já que eles conhecem o terreno do Brooklyn melhor que meus seguranças.
— Querido Chefe de Segurança Gayer. — Snake começou com seu ar de deboche. — Com o valor que o senhor Blake está me pagando, vocês podem até trazer o Papa se quiserem.
— Estamos acertados então. — falei.
— Com toda certeza. — Snake garantiu. — E Hermanito… — ele chamou por José.
— Fala.
— Seguimos siendo hermanos, no lo olvides.
José respirou fundo antes de responder.
— Como se você me deixasse esquecer disso, Snake.
O cara soltou uma risada bem-humorada. Mesmo com toda aquela situação, ele realmente parecia gostar do garoto.
— Adoro seu humor, mi hermanito. Mas estamos combinados. Até mais tarde, senhor Blake.
Me despedi do idiota, encerrei a chamada e imediatamente disquei para o Dominic. Ele atendeu no primeiro toque.
— Noah?
— Estou no hospital com o José. Snake aceitou ajudar. — Fui direto ao ponto. — Custou dez milhões, mas ele vai entregar o David. O encontro é hoje à noite no Brooklyn. Gayer acha melhor levar o pessoal do Chris junto.
— Ótimo. Chris já estava inquieto querendo queimar a cidade. Isso vai dar um foco pra ele. — Dom respondeu, e ouvi o som de portas batendo ao fundo. — E tenho novidades daqui. A transferência do José está certa. Ele entra como informante nível 1 do FBI. Vai na mesma viatura blindada que o Atlas.
José, que estava encostado na parede roendo as unhas, levantou a cabeça.
— Mas a Athena... — José sussurrou. — Ela ainda não acordou. Será que consigo segurar até ver ela?
Dom ouvindo sua pergunta logo respondeu.
— As coisas mudaram um pouco por aqui, Noah. — A voz dele ficou mais grave. — O Chefe Smith caiu. Peguei ele recebendo suborno. A Corregedoria assumiu o caso do Atlas, o que me dá controle total da operação. Posso segurar o transporte por mais duas ou três horas, alegando procedimentos de segurança.
— Isso é bom. Dá tempo do José se despedir. — respirei aliviado, mas notei que o tom do Dom não tinha relaxado. — O que mais, Dom? Tem mais alguma coisa?
Houve uma pausa pesada na linha.
— O suborno, Noah... — Dom hesitou, e meu estômago gelou. — Quem pagou para acelerar a prisão e a transferência do Atlas... foi o Natanael.
O mundo parou por um segundo. O som do hospital, a respiração do José, tudo sumiu. Só restou o eco daquele nome.
— O Natanael? O meu tio Natanael? — perguntei, a voz saindo num fio.
— Sim. Ele estava na sala do Smith. Ele sabia do rastreador que a Taylor colocou no celular dele. Ele trocou o aparelho e veio pessoalmente garantir que o Atlas fosse preso hoje.

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