Capítulo 230 — O Preço da Lealdade
José Alves
O cheiro de antisséptico do hospital estava começando a me enjoar, mas eu não conseguia sair dali. A imagem da minha irmã sendo arrastada para longe do noivo, gritando e chorando, rodava na minha cabeça como um filme de terror em loop.
Ver a Sammy daquele jeito... aquilo quebrou o pouco que restava de mim.
Eu a mandei para casa com a Taylor porque sabia que, se ela ficasse aqui, o estresse poderia machucar o bebê. E eu não me perdoaria se algo acontecesse com o meu sobrinho. Mas ficar aqui, sozinho, esperando a Athena acordar enquanto sei que o Atlas está sendo fichado numa cela fria, era uma tortura diferente.
Eu estava prestes a entrar naquele inferno com ele. Eu já tinha aceitado meu destino. Mas antes de vestir aquele macacão laranja, eu precisava ver minha garota. E, caralho, eu não sei o que vai me doer mais: me despedir da Athena, da Sammy ou enfrentar tudo aquilo novamente.
Em resumo… eu tô fodido.
— José.
Levantei a cabeça. Gayer estava parado na minha frente. O chefe de segurança do Noah parecia ter saído de um filme de ação: terno preto, postura militar e uma expressão que não entregava nada.
— O que foi, Gayer? Aconteceu alguma coisa com a Sammy? — perguntei, já me levantando, o pânico subindo.
— Ela está bem. Está em casa sendo vigiada pela minha equipe, e o Reed também está de olho nela. — Gayer respondeu rápido para me acalmar. — Estou aqui a mando do Dominic. Precisamos da sua ajuda.
— Minha ajuda? Pra quê?
— Encontramos o David. — Gayer disse baixo, olhando em volta para garantir que ninguém ouvia. — Ele está num motel de beira de estrada na saída para Jersey. Mas o lugar é vigiado. Se entrarmos, ele foge. Precisamos de alguém que tenha acesso, alguém que faça ele sair da toca para que possamos pegá-lo.
Entendi imediatamente onde ele queria chegar.
— Vocês precisam do Snake.
— Exato. — Gayer cruzou os braços. — Chris disse que ele só confia em você.
Respirei fundo, passando a mão pelo cabelo. Eu tinha prometido à Sammy que nunca mais me envolveria com o Snake. Que aquela vida tinha ficado para trás. Eu já tinha quebrado minha promessa pra proteger a Athena do Vinnie, mas agora... a liberdade do Atlas dependia disso.
— Vamos para o corredor lateral. — chamei o Gayer.
Fomos para uma área mais reservada, perto das máquinas de café. Peguei meu celular e disquei o número que eu sabia de cor, mas que sempre rezava para nunca precisar usar.
Chamou duas vezes.
— Hermanito! — A voz do Snake ecoou pelo viva-voz, arrastada e perigosa. — Estava esperando você me ligar. Recebeu minha mensagem? Seu cunhado já rodou.
— Ele está com os tiras.
— Eu te disse. — ele bufou. — O maldito do Drácula realmente odeia esses caras aí.
— É, eu notei. — respondi pra ele. — Mas não te liguei para falar da prisão do Atlas. Preciso de um favor.

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