Capítulo 197 — Efeitos da Felicidade
Penelope Lopez
Abri os olhos e o mundo girou.
Não aquele giro romântico de filmes da Disney quando a princesa beija o príncipe. Foi um giro violento, enjoativo, de quem tinha acabado de descer de uma montanha-russa estragada depois de comer três cachorros-quentes.
— Ugh... — gemi, puxando o edredom para cobrir a cabeça, tentando bloquear a luz do sol que invadia o quarto.
— Bom dia, minha encrenca.
A voz do Chris soou grave e divertida vindo da porta. Senti o colchão afundar com o peso dele. O cheiro dele invadiu minhas narinas: aquele perfume caro, misturado com sabonete e café recém-passado.
Normalmente, esse cheiro me faria pular no pescoço dele. Hoje? Meu estômago deu um salto mortal carpado.
— Tira isso daqui. — murmurei, abafada pelo cobertor.
— Isso o quê? Eu? — ele riu, puxando o tecido do meu rosto.
Chris estava impecável, como sempre. Camiseta branca, calça preta, cabelo alinhado. Ele segurava uma bandeja com torradas, frutas e uma caneca fumegante de café preto.
— O café. — apontei, sentindo a bile subir. — O cheiro... por favor, amor. Tira.
Ele franziu a testa, a diversão dando lugar à preocupação. Chris colocou a bandeja na mesa de cabeceira, longe de mim.
— Você está assim tão mal? Penelope, você bebeu o quê? Duas taças de champanhe? Você tem resistência de um marinheiro russo.
— Deve ter sido o camarão. — tentei justificar, sentando na cama devagar e respirando pela boca. — Aquele coquetel de frutos do mar não estava com uma cara boa.
— Todo mundo comeu e ninguém passou mal. O Declan comeu por três e está ótimo, já até mandou mensagem.
— O Declan é um ogro, o estômago dele digere pedra. — rebati, mas a tontura voltou. — Chris, sério. Banheiro. Agora.
Ele não esperou. Me pegou no colo como se eu fosse uma pena e correu para o banheiro. Cheguei ao vaso a tempo de colocar para fora tudo o que (não) tinha no estômago.
Chris segurou meu cabelo, acariciando minhas costas enquanto eu passava por aquele momento humilhante.
— Está tudo bem. Respira. — ele murmurava.
Quando terminei, me senti fraca, mas o enjoo tinha passado um pouco. Lavei a boca e o rosto, encarando meu reflexo pálido no espelho.
— Você precisa de um médico. — Chris decretou, encostado no batente da porta, com os braços cruzados e aquela cara de quem não aceita discussão. — Vou chamar o Elijah.
— Não! — me virei rápido. — Chris, não enche o saco do Elijah. O cara ainda deve estar de ressaca depois do tanto que bebeu no casamento. É só uma intoxicação alimentar ou uma ressaca tardia. Eu estou bem.
— Você está verde, Penelope.
— É a luz. — menti. — Só preciso de um banho e de água com gás. Nada de café.
Ele me analisou por longos segundos, com aquele olhar de raio-X que parecia ler minha alma. Por fim, suspirou e descruzou os braços.
— Tudo bem. Água com gás e descanso. Mas se você vomitar de novo, eu te levo para o hospital nem que seja amarrada, Encrenca. E sabe bem que sou capaz disso.
— Você adora me amarrar, né, Lawson? — tentei brincar para aliviar o clima.
Ele sorriu de canto, aquele sorriso predador que eu amava. Se aproximou, me prensando contra a pia, mas com cuidado.
— Adoro. Mas prefiro quando você está gritando de prazer, não abraçada com a privada.
Ele beijou minha testa demoradamente.
— Eu preciso ir para a loja. Tenho que verificar um carregamento que chegou e ver se não tem nenhuma surpresa do filho da puta do tal Drácula. — ele explicou, acariciando meu rosto.
— Pensei que nosso pós-casamento fosse mais divertido. — falei segurando sua camiseta. — E não comigo vomitando e você indo trabalhar em pleno domingo.
— É coisa rápida, Encrenca, prometo. — Ele me deu mais um beijo na testa. — A segurança na porta está dobrada. Vou pedir pra Diva vir te socorrer, fazer o almoço pra você. Tenta comer algo leve pra melhorar dessa “intoxicação”.

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