Capítulo 17 – Coincidência
Juliet Pierce
Eu me arrastei pelo resto da noite, Noah foi para seu escritório e não saiu de lá. Pelo menos não até eu ir embora. Samy e Penelope insistiram em saber o que havia acontecido, mas eu ainda não estava preparada para falar.
Não podia dizer que fui estúpida demais por me apaixonar depois de um beijo, e ainda por um homem que não posso ter.
Prometi ajudar o Atlas com o financeiro da loja de sua mãe. E combinamos de nos encontrar no horário do almoço. Acordei, curti meus filhotes, os deixei com a Celeste e depois segui para o Shopping Brookfield Place.
Eu não conhecia o lugar, então mandei uma mensagem para Atlas me encontrar na porta, e assim que cheguei, lá estava ele.
— Ju…
— Boa tarde, senhor Atlas. — Eu disse com um sorriso. — Ah, por favor, vamos de Atlas a partir de hoje.
— Atlas, então.
Ele sorriu para mim e foi me direcionando até a loja. Ela ficava no segundo piso, e logo chegamos.
Ele me explicou que estava mantendo a loja fechada, pois iria vendê-la. Trouxe os documentos e, em segundos, começou a minha diversão. Adorava números e me perdi neles, estava concentrada avaliando uns documentos com a caneta na boca, uma mania que eu tinha.
Meus cabelos lisos haviam caído sobre o rosto e eu nem me importei. Não até sentir a mão de Atlas em mim.
— Como está conseguindo enxergar com eles nos olhos dessa maneira? — Ele me perguntou com um sorriso nos lábios.
— É o efeito que os números causam em mim. — Respondi rindo.
Atlas colocou meu cabelo atrás da minha orelha, depois o jogou para trás do ombro.
— Assim está melhor. — Senti meu rosto esquentar.
— Obrigado. — Murmurei sem graça.
O telefone dele tocou, ele atendeu sem desviar os olhos de mim. Decidi voltar ao que estava fazendo para que aquilo não se tornasse mais constrangedor do que já tinha sido.
— Reed. — Ele disse ao atender.
Por alguns segundos, ele só ouviu, e eu continuei o que estava fazendo.
— Eu vou levar a Ju para almoçar assim que acabarmos aqui. — Ele respondeu a Reed. E, com um "ok", ele encerrou a ligação.
Me virei para ele e disse.
— O senhor… — Comecei, mas ele levantou uma sobrancelha para mim, sorri e reformulei. — Você não precisa me levar para almoçar, se tiver compromisso. Como algo aqui mesmo, depois vou para casa.
— De jeito nenhum. Não me tire o prazer de almoçar com uma mulher bonita, isso é raro para mim.
— Até parece, lindo desse jeito, mulheres bonitas não devem faltar. — Apertei os lábios, e arregalei os olhos no instante em que percebi o que havia dito.
— Então me acha bonito, é? — Ele me perguntou com uma certa diversão.
— Si… sim. Você é muito bonito.
— Agradeço o elogio, mesmo achando que o "muito bonito" é muito exagerado.
Nós dois rimos. E dei graças a Deus por ele levar a situação na brincadeira. Demorei mais uns quinze minutos, e logo tudo estava resolvido. Planilhas feitas, contas pagas, pasta de fornecedores criada.

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